#8M de luta

Mulheres marcham em São Paulo contra a violência e por direitos

Mulheres tomam a Av. Paulista na luta contra o governo Bolsonaro. “Este é um dia de luta que as mulheres mostram sua força”, disse ex-ministra Eleonora Menicucci

Elineudo Meira
"Estamos aqui para dizer nenhuma mulher a menos. Pela vida das mulheres. Por nossos direitos, pela democracia, por Marielle, Dandaras e contra o Bolsonaro

São Paulo – Mesmo sob chuva, milhares de mulheres tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (8), para marcar o Dia Internacional das Mulher. Em pauta, estiveram o combate à violência e ao machismo estrutural, e a luta por direitos negados historicamente. A concentração começou por volta das 14h e, a partir das 17h, seguiu em passeata até a Praça Roosevelt, no centro da capital.

O ato, que reuniu cerca de 50 mil pessoas, segundo os organizadores, fez parte de um conjunto de mobilizações em 23 estados, mais o Distrito Federal. Presente na Paulista, a ex-ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para Mulheres, extinta após a ascensão do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), disse que as mulheres estão nas ruas “para celebrar um dia de luta e não de comemoração”.

“Estamos aqui para dizer nenhuma mulher a menos. Pela vida das mulheres. Por nossos direitos, pela democracia, por Marielle, Dandaras e contra o Bolsonaro. Este é um dia de luta que as mulheres mostram sua força. Mostramos no #EleNão. É fundamental as mulheres nas ruas para mostrar isso, como Bolsonaro é misógino, fundamentalista, reacionário e ditador. É um grito das mulheres”, afirmou a ex-ministra.

Ex-ministra Eleonora Menicucci, sobre o dia e a luta das mulheres

Entre os eixos fundamentais nas ruas, está o rechaço ao presidente a Bolsonaro, que já mostrou sua face machista e misógina em diferentes situações. Também foi bastante lembrada a luta de Marielle Franco, vereadora assassinada em março de 2018 no Rio de Janeiro. Até hoje, a dúvida sobre os mandantes de seu assassinato pairam na sociedade neste crime, que envolve milícias cariocas.

A atriz Maria Bopp, que ganhou as redes sociais com sua luta feminista e críticas ácidas ao governo, esteve na Paulista e conversou com a reportagem. “O feminismo é um lugar de política. Não podemos esvaziar nunca este significado. É luta e transformação da vida das mulheres. É essencial estar nas ruas, além das redes. Temos que mostrar, nos posicionar e não ficarmos no conforto. Estou feliz que mesmo com a chuva estamos aqui”, disse.

Maria Bopp, a blogueirinha do fim do mundo, no ato #8M na Paulista

Ocupação

Patrícia Borges, mulher trans, celebrou a resistência das mulheres em São Paulo. “A importância de estarmos nas ruas é ocuparmos os espaços, fazer a resistência do dia da mulher. A mulher tem que lutar por direitos que não nos garantem. Este governo, este presidente (Jair Bolsonaro), não nos favorece. Cada vez mais, trans e mulheres estão encarceradas. Precisamos rever essa sociedade que mata e destrói. Mulher é isso, essa é a importância de ser mulher”, disse.

Jussara Baptista, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), engrossou o discurso político durante o ato. “Queremos fora Bolsonaro. Queremos fora a todos aqueles que não representam os trabalhadores e, principalmente, queremos fora o machismo institucional que se propaga a partir das falas de Bolsonaro. Violência que se estende aos negros, aos LGBTs e a todos que moram na periferia”, disse.

Do grupo de mulheres Pão e Rosas, Giovana Maria, que é educadora social, disse: “Estamos aqui lutando contra o governo Bolsonaro e contra suas reformas que atacam principalmente as mulheres. Exigimos justiça por Marielle. Faz quase dois anos de seu assassinato sem uma resposta”. A luta de Marielle sempre lembrada.

A codeputada estadual por São Paulo Erika Hilton, da Bancada Ativista (Psol), falou sobre a ampla representatividade da luta das mulheres. “Estamos aqui para falar de representação. As mulheres precisam estar em todos os espaços. Falo da política, onde estou, um espaço tomado por homens e seus privilégios. A política precisa ser tomada pelas mulheres. Precisamos de políticas públicas que enfrentem a violência doméstica, o feminicídio. As mulheres precisam ocupar todos os espaços porque o machismo nos limou, mas ocupamos as ruas.”

Daniela Cerqueira esteve na Paulista com seu companheiro e as duas filhas. “Acho importante trazer as meninas. Uma com cinco e outra com sete. É importante elas começarem a ganhar consciência de que estamos aqui através de muita luta. As mulheres precisam se unir para construirmos nossos direitos e avançarmos em nossas pautas. Espero que quando elas forem mais velhas, aborto legal e seguro seja uma realidade.”

Com reportagem de Clara Assunção