Violência política

MTST denuncia assassinato de militante pela PM de Minas Gerais

Daniquel Oliveira dos Santos era coordenador do movimento na ocupação Fidel Castro, em Uberlândia, e foi morto na madrugada de hoje (5)

reprodução/mtstmg
"Até quando a polícia continuará nos perseguindo, perseguindo nossos militantes, até quando tamanha covardia com nossa luta?"

São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de Minas Gerais denunciou o assassinato de um membro do movimento social na cidade de Uberlândia. De acordo com informações do MTST, Daniquel Oliveira dos Santos, de 41 anos, foi morto com um tiro disparado por um policial militar na madrugada desta quinta-feira (5).

O líder do movimento Guilherme Boulos se pronunciou via redes sociais. “Coordenador do MTST foi assassinado pela PM em Uberlândia. Foi executado friamente por policiais. Mais um caso de violência política no país. Exigimos punição aos assassinos”, disse sobre o homem, que atuava na coordenação do movimento há três anos.

As informações dos sem-teto dão conta de que Daniquel foi alvejado após subir em um poste de uma das casas da Ocupação Fidel Castro. “Estão querendo criminalizar nosso movimento apontando que havia uma arma com Daniquel. O que é uma mentira”, diz a nota publicada no Instagram. “Até quando a polícia continuará nos perseguindo, perseguindo nossos militantes, até quando tamanha covardia com nossa luta?”

A vereadora de Belo Horizonte Bella Gonçalves (Psol) também repudiou a ação da PM. “Na madrugada de hoje, o companheiro Daniquel Oliveira dos Santos, militante do MTST, foi covardemente executado pela PM em Uberlândia, durante manifestação pelo direito a moradia. Absurdo! Até quando vão criminalizar nossas lutas? Queremos justiça!”, disse.

Reação

No início da manhã, moradores da ocupação bloquearam a BR 050 em protesto pelo assassinato. “Por sua vez, a sanguinária PM-MG reprimiu a manifestação com bombas e balas de borracha, ferindo três pessoas. É inadmissível que um trabalhador que luta pelo direito básico à moradia seja assassinado de maneira tão cruel e fria por um agente de segurança pública. O MTST expressa seu mais profundo repúdio à PM de MG e à política de criminalização da pobreza levada a cabo pelo governador Romeu Zema (NOVO)”, diz o texto do movimento.

O MTST mineiro afirma que a ação não intimidará as ações de luta por moradia. “Não é com tiro que irão interromper a luta do povo brasileiro. Daniquel era e será exemplo para os lutadores sem-teto por sua dedicação à luta e a coletividade. Milhares de lutadores como ele seguirão em frente, para que essa injustiça jamais seja esquecida.”

A RBA procurou a Polícia Militar de Minas Gerais a respeito do episódio, mas não obteve resposta até agora. Outros veículos, como o portal UOL, fizeram o mesmo e também não tiveram resposta.

Ato na BR 050 foi reprimido pela PM de Minas Gerais

Ameaça de milicianos

Em nota, o Ministério Público Federal (MPF), demonstrou preocupação com o caso. “Mais de 900 famílias residem na Ocupação Fidel Castro, em Uberlândia, sob situação de ameaça e risco de violações de direitos. A situação já havia sido trazida à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) por representantes do MTST. Na última segunda-feira (2), a PFDC encaminhou ofício à Procuradoria da República em Uberlândia no qual solicita a adoção de providências.”

“As mais de 900 famílias que vivem na localidade são de baixa renda, sendo que 45% delas têm renda mensal de até R$504,00. A comunidade sofre ameaças constantes de milicianos e alguns de seus moradores estão inclusive sob proteção do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) de Minas Gerais. Diante da notícia do homicídio de uma das lideranças da Ocupação Fidel Castro, nesta quinta-feira (5) a PFDC voltou a oficiar a Procuradoria da República em Uberlândia solicitando prioridade para o tema”, completa o órgão.