Direitos Humanos

Extermínio da juventude negra por violência do Estado é denunciado na OEA

Coalizão denuncia política de extermínio da juventude negra nos governos Bolsonaro, Doria e Witzel. Nova denúncia vai à ONU

Daniel Arroyo
Depoimento de familiar de vítima do massacre em Paraisópolis, comoveu comissão da OEA que pediu solidariedade do governo brasileiro

São Paulo – A violência de Estado no Brasil, em especial contra jovens negros da periferia, foi denunciada pela Coalizão Negra por Direitos em audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA), realizada na sexta-feira (6), no Haiti.

O relato da irmã de Dennys Guilherme dos Santos Franco, de 16 anos, um dos nove jovens mortos após ação policial no baile funk em Paraisópolis, comoveu a comissão da órgão que pediu, como ação mínima dos representantes do governo federal que estavam à mesa, a prestação de solidariedade às famílias vítimas da violência policial do Brasil. “Estamos em luta por justiça”, destacou Fernanda dos Santos Garcia.

“Arruinaram a nossa vida para sempre, é um pesadelo constante chegar na minha casa e saber que nunca mais eu vou meu irmão, que foi tratado com tanto amor, com tanta dificuldade, minha mãe empregada doméstica que lutou tanto na vida para sustentar, para um órgão do Estado tirar a vida do meu irmão sem razão alguma”, lamentou emocionada a irmã de Dennys

Assista à reportagem da TVT

A Coalizão, formada por mais de 60 organizações antirracistas, cobrou uma ação enérgica da comissão da OEA, com a realização de um estudo específico sobre a violência policial contra afrodescentes. O movimento também requisitou posicionamentos públicos do órgão cobrando respostas efetivas do governo para a devida apuração e responsabilização dos casos denunciados, assim como a apuração dos procedimentos operacionais padrão usados pelas polícias brasileiras. 

Também foram solicitadas uma visita ao país e um posicionamento quanto aos “discursos permissivos à violência emitidos pelos governantes do estado brasileiro”, em especial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador de São Paulo João Doria (PSDB) e o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC).

Denunciar e constranger

Em entrevista ao Seu Jornal, da TVT, nesta quarta-feira (11), o educador e fundador da Uneafro, Douglas Belchior, que participou da audiência na OEA, explicou que apesar do caráter dúbio do órgão, a proposta de usar esse espaço internacional é para denunciar e constranger o estado brasileiro. De acordo com ele, nesta quarta, uma integrante da Coalizão viajou para fazer nova denúncia na Comissão de Direitos Humanos da ONU e a expectativa é que os próximos documentos formais, emitidos por esses órgãos, sejam ainda mais duros no sentido de condenar a prática de violação de direitos humanos

“Nós precisamos mostrar ao mundo que nós não vivemos tempos de normalidade democrática. Nós temos um governo que foi levado ao poder por meio de um golpe e que está no poder destruindo o pouco de direitos que nós temos, os avanços que nós conquistamos, e pior que isso, está instaurando um clima de terror, colocando o estado para assassinar e torturar a população com seu braço armado”, destacou Belchior. “Essa é uma incidência que a Coalizão tem feito internacionalmente para denunciar o genocídio”. 


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