onda de ódio

Padre Julio Lancellotti é novamente ameaçado de morte por PMs. Corregedoria apura denúncias

Na semana passada, morador em situação de rua recebeu "recado" para o sacerdote, repetindo ameaça feita por policiais em janeiro

TVT/Reprodução
"Diariamente a população em situação de rua relata essas situações, porque eles são abordados pela polícia, por esses grupos de segurança", explica o padre Julio à TVT

São Paulo – No último dia 27 de janeiro, o padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, denunciou que dois agentes da Polícia Militar de São Paulo o ameaçaram de morte. Essa não foi a primeira vez que o sacerdote sofreu intimidação por seu trabalho. Reportagem da Ponte Jornalismo revelou, na sexta-feira (7), que nova ameaça foi feita por PMs do 7º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), conforme denunciou um morador em situação de rua que diz ter sido abordado e agredido pelos soldados.

Na Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste da capital paulista, quem conhece o trabalho do padre Julio se indigna com a situação. Há pelo menos 34 anos que o sacerdote coordena aquela pastoral, fazendo trabalho de assistências às pessoas em situação de rua. “Para a sociedade você não tem valor nenhum. Mas tem o padre Julio e pessoas boas que sempre ajudam a gente. Dá uma roupa, um alimento, um pão, um café com leite pra gente comer”, conta Alexandre Corrêa, um dos frequentadores da paróquia que acolhe a população desabrigada.

Apesar do trabalho, a reportagem da TVT identificou que nem todos apoiam a assistência social e a defesa dos mais pobres prestadas por Julio. As intimidações vêm por parte da PM, mas também dos vizinhos e da própria especulação imobiliária, que se incomodam com a presença de pessoas em situação de rua. Na recente denúncia de ameaça, os policiais teriam dado o recado ao abordar três jovens que são atendidos pela pastoral, afirmando “que a hora dele (sacerdote) vai chegar”. “Diariamente a população em situação de rua relata essas situações, porque eles são abordados pela polícia, por esses grupos de segurança”, explica o padre Júlio ao repórter André Gianocari.

O caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar, que à Ponte Jornalismo disse também apurar no mesmo inquérito a intimidação feita na semana passada. A advocacia da pastoral pede junto ao procedimento administrativo de investigação o reconhecimento fotográfico dos agressores. No ano passado, o padre Júlio chegou a receber tantas ameaças de morte que, pelas redes sociais, um grupo formado por ativistas dos direitos humanos e advogados entraram com representação no Ministério Público. “Quem está com os rejeitados, vai ser rejeitado também. Eu não tenho mais nada a perder, a única coisa que eu posso perder é a vida”, afirma o padre.

Assista à reportagem da TVT

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