catástrofe

Alagamentos em São Paulo: Covas não usou verba de combate a enchentes

Mais uma vez a cidade amanhece debaixo d’água, enquanto a prefeitura segue segurando o orçamento para ações de drenagem e prevenção de alagamentos

EBC
Sem investimento no combate a enchentes e alagamentos pelo terceiro ano seguido, São Paulo amanheceu inundada

São Paulo – A cidade de São Paulo amanheceu nesta segunda-feira (10) alagada mais uma vez. Até as 10h, a chuva contínua desde a noite anterior já havia causado 77 pontos de alagamento, incluindo as marginais Pinheiros e Tietê, parado linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e levando a prefeitura, a Defesa Civil e os bombeiros a recomendar que as pessoas ficassem em casa, em vez de seguir para o trabalho.

O secretário de Infraestrutura Urbana e Obras do governo do prefeito Bruno Covas (PSDB), Marcos Penido, informou que nesse período de pouco mais de 12 horas choveu metade do esperado para todo o mês de fevereiro. No entanto, “esqueceu” de mencionar que, pelo terceiro ano seguido, a gestão municipal não aplicou a verba reservada para o combate a enchentes e alagamentos, segundo dados da Secretaria Municipal da Fazenda.

O orçamento paulistano de 2019 destinou R$ 300 milhões para combater enchentes e alagamentos, mas o governo Covas só aplicou R$ 50 milhões – cerca de 17%. Também havia R$ 4 milhões orçados para investimentos no sistema de drenagem, dos quais nenhum centavo foi gasto.

Em 2017 e 2018, o então prefeito e atual governador paulista, João Doria (também PSDB), de quem Covas era vice, aplicou cerca de um terço de toda a verba orçada para combate a enchentes e alagamentos. De R$ 824 milhões destinados à realização de drenagens, só R$ 279 milhões (38%) foram realizados. Em obras e monitoramento de enchentes, estavam previstos R$ 575 milhões, mas R$ 222 milhões (35%) foram investidos.

As consequências afetam toda a cidade. O Corpo de Bombeiros registrou 4.090 chamados, atendendo 300 ocorrências nesta noite. Foram registradas 27 quedas de árvores e 20 desabamentos. A zona oeste foi a mais afetada pelos alagamentos, até às 10h, com 38 pontos intransitáveis. Dentre elas as avenidas Marquês de São Vicente, Pompéia, Marginal Pinheiros e Tietê (no sentido Ayrton Senna) e Doutor Gastão Vidigal. A zona leste tem duas vias bloqueadas.

Já na zona sul são 12 pontos com problemas. As principais vias são as avenidas 23 de Maio, Miguel Estéfano, Bandeirantes, Chucri Zaidan, Giovanni Gronchi e Interlagos. A zona norte tem 17 pontos de alagamento intransitáveis, que atingem a Marginal Tietê, da chegada das rodovias Dutra e Ayrton Senna até a Casa Verde. As avenidaa Braz Leme e a Ordem e Progresso também ficaram intransitáveis. Na região central estão com pontos de alagamento as avenidas Santos Dumont e 9 de Julho.