na contramão

Governador do Distrito Federal veta praça com o nome de Marielle Franco

Decisão de Ibaneis Rocha (MDB) foi publicada nesta quarta (22). Para deputado, autor da lei que criava praça, governador "nega reconhecimento do legado" da vereadora e "agrada quem persegue os defensores dos direitos humanos"

Fernando Frazão/EBC
Projeto que criava praça já havia sido aprovado com unanimidade pela população e pelos deputados distritais

São Paulo – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) vetou nesta quarta-feira (22) o Projeto de Lei (PL) 167/2019 que criava a Praça Marielle Franco no Setor Comercial Sul, próximo à Galeria dos Estados, na capital federal. De autoria do deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF), o PL prestava uma homenagem ao legado da vereadora, brutalmente assassinada em 14 de março de 2018, junto com o motorista Anderson Gomes.

Perto de completar dois anos do crime, ainda sem respostas quanto aos mandantes e às motivações, Marielle continua a ser destaque no Brasil e no mundo por conta de sua atuação na defesa dos direitos humanos e da cidadania.

Ainda assim, o governador vetou a homenagem, alegando que a vereadora “não teria prestado serviços à população do Distrito Federal, e haveria, aqui, uma tradição de se homenagear com a denominação de logradouros públicos apenas pessoas com vínculos diretos com a cidade”. O deputado distrital, no entanto, contesta a justificativa de Rocha. “Essas afirmações não correspondem à realidade”.

Por meio de um texto divulgado por seu mandato, Félix afirmou que não há nenhuma motivação técnica, baseada na Constituição Federal ou na Lei Orgânica do Distrito Federal, que explique o veto do Executivo. De acordo com o deputado, diversas personalidades de outras unidades da federação são homenageadas da mesma forma, como o líder quilombola Zumbi dos Palmares, o cantor Leandro, assim como proprietário da Rede Globo, Roberto Marinho. “São diversos os espaços públicos do DF que homenageiam personagens póstumos da história nacional. Cada qual com seu valor simbólico; valor este que se sobrepõe a regionalismos justamente por se tratar da capital do País”, rebate o parlamentar.

Antes de chegar para análise do governador, o PL ainda passou por duas audiências públicas e foi aprovado com unanimidade pela população. Assim como também ganhou o apoio no Plenário da Câmara Legislativa. A luta de Marielle também motivou a homenagens semelhantes em mais de 150 logradouros públicos, tanto no Brasil, como no exterior. Em setembro do ano passado, o nome da vereadora passou a intitular o jardim de uma praça suspensa em Paris, na França.

Para o deputado distrital, o veto de Ibaneis Rocha tem “o nítido propósito de simplesmente negar reconhecimento à dimensão que tomou o legado da vereadora Marielle Franco. Um triste gesto para agradar quem persegue defensores de direitos humanos e despreza as garantias democráticas”, critica Félix.