Home Cidadania Pinheiros lidera ranking do Psiu. Com baile da DZ7, Paraisópolis é a 76ª
discriminação

Pinheiros lidera ranking do Psiu. Com baile da DZ7, Paraisópolis é a 76ª

Não há registro de ação policial ostensiva contra o barulho no bairro nobre. Comunidade foi palco de violenta repressão policial na madrugada de domingo, resultando em nove mortos
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
10:17
Compartilhar:   
Avener Prado/Folhapress

Para dispersar torcedores na Vila Madalena, a PM usou megafone com mensagem em três idiomas, mas nenhuma bomba

São Paulo – O bairro que lidera as reclamações por conta de barulho na capital paulista não fica nas periferias, nem é conhecido por grandes bailes funk em vias públicas. Muito menos por violentas repressões policiais para acabar com eventos que reúnem jovens. Pinheiros, área nobre da zona oeste, lidera o ranking de reclamações do Programa Silêncio Urbano (Psiu), da prefeitura de São Paulo, com 345 denúncias até julho deste ano. A região compreende a Vila Madalena. Já a Vila Andrade, onde fica a favela de Paraisópolis, palco de violenta repressão policial no baile funk da DZ7, que deixou nove mortos no último domingo (1º), é apenas a 76ª no ranking, com 60 reclamações.

As informações foram obtidas pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública, em parceria com o site G1. A capital paulista registrou 9.449 reclamações de barulho – que inclui os bailes como o da DZ7 –, cerca de 52 ocorrências por dia, entre janeiro e julho. O Psiu recebe denúncias de perturbação do sossego de qualquer tipo de estabelecimento ou evento, seja comercial ou residencial. A Polícia Militar é parceira da prefeitura no atendimento aos chamados.

A diferença nas ações em cada bairro fica evidente quando se compara a ação da polícia em Paraisópolis com a dispersão de torcedores na Vila Madalena, na Copa do Mundo de 2014. Para encerrar a festa, a PM utilizava megafones e mensagens em três idiomas. Mesmo enfrentando resistência, não se utilizou de violência.

Outra região em que a Polícia Militar dispersou um baile funk com violência foi em Guaianases, no extremo leste da capital paulista, no início de novembro. A adolescente Gabriella Talhaferro, de 16 anos, ficou cega do olho esquerdo após ser atingida por uma bala de borracha disparada pelos policiais. Havia cerca de 700 pessoas no local. A polícia alega que foi atender um chamado de perturbação de sossego e que os jovens bloquearam a via. O bairro também não tem destaque nas reclamações do Psiu: está na 68ª posição.

Além de Pinheiros, aparecem no topo da lista o bairro de Santa Cecília, na região central, com 233 reclamações; Vila Mariana, com 220; Sacomã, com 217; e Itaim Bibi, com 213. A PM informou por meio de nota que as ações de dispersão de bailes funk fazem parte da Operação Noite Tranquila, criada pelo governador João Doria (PSDB) no início do ano.

“A operação tem o objetivo de evitar a instalação de bailes funk ou aglomerações que ocasionam a quebra da ordem pública e, por conseguinte, a perturbação do sossego. Os locais onde há o emprego do policiamento são mapeados pela inteligência e todas as regiões da cidade recebem a operação”, diz a nota. Foram realizadas 7,5 mil operações em 2019.