Resistência

Mulheres lutam para preservar espaço de agroecologia e economia solidária

Organizadoras da Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã lançaram campanha de financiamento coletivo para garantir a realização de eventos em 2020. A última feira deste ano acontece neste domingo (15)

Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã
Produtos da agricultura familiar, sem uso de agrotóxicos, estão entre os artigos comercializados

São Paulo – Frutas, verduras, legumes e grãos orgânicos frescos, direto da agricultura familiar, alimentos processados artesanalmente, cosméticos e perfumes feitos com matérias-primas naturais, bolsas em tecido, bonecas negras, brinquedos infantis, bordados, roupas e cerâmica, entre outros artesanatos. E oficinas para adultos e crianças, prática de yoga, apresentações culturais e capoeira. Assim é a Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã, que neste domingo (15) encerra sua agenda do ano no Butantã, zona oeste de São Paulo.

Espaço de resistência ao modelo de produção agrícola baseada no latifúndio e no uso de agrotóxicos, a agroecologia é uma das vertentes da feira. As outras são a valorização da economia solidária e feminista, que estimula a geração de renda para mulheres de diferentes contextos e territórios.

Realizada pelo terceiro ano consecutivo no mesmo local (confira endereço no final da reportagem), a feira mensal corre  risco extinção. Desde que foi criada, sua infraestrutura básica foi financiada por meio de um edital cuja duração chegou ao fim recentemente. Para preservá-la, a rede de produtoras lançou uma campanha de financiamento coletivo que termina neste dia 22. A meta inicial é arrecadar R$ 8.000, montante suficiente para garantia a realização de quatro edições no próximo ano. Se a meta não for atingida, o valor arrecadado será devolvido aos doadores.

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Segundo Tainá Holanda, da coordenação do evento, os custos incluem desde o transporte dos materiais da feira, como barracas, mesas e cadeiras, até o pagamento dos realizadores da aula de yoga, da roda de capoeira, da apresentação musical e das oficinas. “Acreditamos que essa programação cultural gratuita e aberta ao público é parte importante da feira, através da qual buscamos fortalecer os circuitos da cultura popular em São Paulo e democratizar o acesso da população a atividades de lazer diversas”, explica, destacando que os custos visam tornar o espaço mais acessível para as expositoras e para o público.

Olivia Obri, que também faz parte da coordenação, ressalta o caráter inclusivo e de geração de renda para as mulheres que participam. “A proposta da feira é alimentar um coletivo de mulheres que possa autogerir sua organização, seus acordos internos, sua viabilidade econômica. A partir disso, foram criados, coletivamente, critérios para a seleção das expositoras que prezem por uma diversidade não só de produtos, mas de mulheres, levando em conta aspectos como classe, raça, etnia e cultura, sem se descolar da proposta agroecológica da feira.”

A feira é organizada por meio da gestão coletiva, por meio da frente de Mulheres da Associação Nacional Reggae, o Núcleo de Economia Solidária da USP, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP (ITCP/USP) e a Rede de Economia Solidária e Feminista (RESF Nacional). Diferentemente de outros locais de exposição em São Paulo, não há cobrança de taxas para participação. Cada expositora contribui com 10% do total de vendas. Em média, cada edição da feira tem um custo total de R$ 2.000.

A Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã acontece no Viveiro II do Butantã. O espaço público foi aberto para a feira em dezembro de 2017 e, desde então, vem proporcionando uma experiência especial para quem vive na capital paulista, pois acontece em uma área verde gramada, entre árvores, sem edificações.

Programação

Entre as atrações da programação está o show de Forró Arrumadinho com Jamille Queiroz, Ju Flor e Naiara Perez, às 14 horas. Segundo a organização, o trio levará o melhor do ritmo nordestino, com muito pé de serra, zabumba, triângulo e sanfona.

As atividades culturais da feira começam às 10 horas, com a aula aberta de yoga. Em seguida, às 11 horas, oficina de plantio para as crianças, e, às 12h30, é a vez de aprender a fazer cadernos artesanais. No período da tarde, após o show de forró, às 15h30, rola a já tradicional roda de capoeira.

Serviço:
Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã
Próximo evento: dia15/12 (domingo)
Local:
Rua José Álvares Maciel, na altura do nº 847, Butantã, São Paulo – SP.  Próximo a praça Elis Regina.
Horário: das 9h30 às 17h.
Entrada gratuita

Confira imagens de outras edições da Feira:

Oficina gratuita de EcoPrint, realizada em março de 2019. (Foto: Aguapé Produções)

Mais de 50 expositores oferecem diversos produtos. (Foto: Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã)

Artesanato variado, nas mais diversas técnicas e materiais. (Foto: Aguapé Produções)

A Feira oferece atividades lúdicas par crianças de todas as idades. (Foto: Aguapé Produções)