Massacre

A democracia não chegou na periferia, diz representante da OAB

"A tragédia não é de Paraisópolis, é de São Paulo. O Estado tem de ser responsabilizado". diz o advogado Arnobio Lopes Rocha

Reprodução

São Paulo – “O que aconteceu em Paraisópolis é parte de um genocídio contra a população periférica. É de cortar o coração o que fizeram com esses jovens”, afirma o coordenador do Núcleo de Ações Emergenciais da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Arnobio Lopes Rocha, que participou ontem (2) à noite de evento sobre democracia, depois de passar o dia em contato com familiares dos rapazes mortos na zona sul de São Paulo, no fim de semana, e com autoridades. Para ele, “a democracia não chegou na periferia”.

Rocha fez parte de um grupo de entidades que se reuniu na tarde de segunda-feira com o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, para cobrar providências. “Ele se comprometeu que o Ministério Público vai pedir apuração”, afirmou o advogado. O procurador nomeou a promotora Soraia Bicudo Simões, do 1º  Tribunal do Júri, para acompanhar a investigação.

A operação policial em um baile funk terminou com nove mortos e sete feridos. Até ontem à noite, Rocha, da OAB, tinha a informação de que dois permaneciam em estado grave. Ele observou que a maioria das vítimas não era do local. “A tragédia não é de Paraisópolis, é de São Paulo. O Estado tem de ser responsabilizado.”

Para o advogado, as regiões periféricas não recebem ações do Estado brasileiro. “Tinha algum contato com a Justiça do Trabalho, que está sendo desmontada”, comentou, ao participar, com dezenas de outras organizações de evento promovido pela plataforma Pacto pela Democracia, na região central de São Paulo.

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