Investigação

Caso Ágatha: inquérito confirma que policial foi responsável pela morte

Laudo aponta que fragmento que atingiu a estudante teve origem em "tiro de advertência" disparado por um PM, indiciado por homicídio doloso. A primeira versão apresentada pela polícia afirmava que os disparos teriam sido efetuados em um confronto com traficantes

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Inquérito que pede o indiciamento de PM por homicídio culposo foi enviado ao MPRJ

São Paulo – Inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro confirma que o tiro que matou a estudante Ágatha Félix, de 8 anos de idade, no Complexo do Alemão, em setembro, foi dado por um policial militar. O documento classifica o episódio como “erro de execução”. O objetivo do cabo da PM seria dar um “tiro de advertência” para forçar a parada de dois homens que estavam numa motocicleta, mas acabou acertando a menina. O PM, lotado na UPP Fazendinha e que não teve a sua identidade revelada foi indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar).

De acordo com testemunhas ouvidas no inquérito, que já foi enviado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta terça-feira (19), o policial teria confundido uma arma com uma esquadria de janela levada pelo homem que estava na garupa da moto. A investigação também aponta que o cabo da PM estaria “sob forte emoção” devido à morte de um colega três dias antes do ocorrido.

Relatório do Instituto de Criminalista Carlos Éboli entregue à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) demonstrou que o fragmento de projétil encontrado no corpo de Ágatha, atingida dentro de uma Kombi, tinha ranhuras idênticas à do cano do fuzil usado pelo PM. O laudo também aponta que a bala atingiu primeiramente um poste. Um estilhaço da bala, que perfurou as costas e saiu pelo tórax da menina, teria provocado a morte.

“A Secretaria de Estado de Polícia Militar lamenta o triste episódio da pequena Ágatha e reforça solidariedade à família. Sobre a investigação, a corporação esclarece que está dando o apoio necessário à Delegacia de Homicídios da Polícia Civil”, disse a PM em nota.

A primeira versão apresentada pela polícia afirmava que os disparos teriam sido efetuados em um confronto com traficantes. A afirmação foi desmentida pelo motorista da Kombi, em depoimento prestado três dias após o episódio. “Não houve tiroteio nenhum, foram dois disparos que ele deu. Falou que foi tiroteio de todos os lados. É mentira, é mentira!”.

A morte da Ágatha também ficou marcada pelo desabafo do avô da menina, na saída do Hospital Getúlio Vargas, onde ela foi socorrida. “Matou uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê o policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. Não é a família do governador ou do prefeito ou dos policiais que estão chorando, é a minha. Amanhã eles vão pedir desculpas, mas isso não vai trazer minha neta de volta”, disse Ailton Félix, avô materno da criança, na porta do hospital”, afirmou.