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Contra o genocídio

Após tortura, supermercado Ricoy é palco de dois protestos

Manifestantes foram ao local, na sexta e no sábado, para denunciar a violência cometida por seguranças contra um jovem negro
Publicado por Felipe Mascari
10:54
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Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Com atabaques, berimbaus, faixas e cartazes, cerca de 400 pessoas protestaram, no sábado (7), contra o racismo e o genocídio negro

São Paulo – O supermercado Ricoy, na zona sul da capital paulista, foi alvo de manifestações no sábado contra a tortura cometida pelos seguranças do estabelecimento, que chicotearam um jovem negro. Com atabaques, berimbaus, faixas e cartazes, cerca de 400 pessoas protestaram contra o racismo e o genocídio da população negra.

Organizado pela Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, com a participação de outros movimentos negros e periféricos, o ato resultou no fechamento do estabelecimento, localizado na Avenida Yervant Kissajikian. O movimento, então, decidiu marchar até outra unidade do Ricoy, localizada a 1,5 quilômetro dali, na mesma avenida. Quando chegaram ao local, os funcionários de lá também haviam fechado as portas mais cedo.

Os organizadores pediram para conversar com algum representante da Ricoy, mas ninguém os atendeu. Por volta das 15h30, o protesto se encerrou. Depois que os manifestantes foram embora, o mercado reabriu as portas. “Queremos deixar bem escuro para a rede do Ricoy que eles são racistas e compactuam com o crime, porque tortura e agressão é crime”, disse Luana Vieira, da Rede, ao site Ponte Jornalismo.

Prática recorrente

Já na sexta-feira (6), o Coletivo Negro do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) também fez um ato surpresa contra a tortura no supermercado Ricoy. “Nós precisamos denunciar. A chibatada não será mais aceita, cada atitude dessa não será escondida”, afirmou Ediane Maria do Nascimento, ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

A manifestação foi para dentro do supermercado. Enquanto clientes realizam suas compras, militantes discursaram e denunciavam os casos racistas que ocorrem no estabelecimento. O Coletivo Negro do MTST afirma que a violência é prática recorrente em outros supermercados.

Edson Basílio, militante do Coletivo de Negras e Negras do MTST, advertiu que o caso não é responsabilidade exclusiva dos seguranças, mas também se estende aos seus empregadores, o Ricoy Supermercados. “Entrou para a lista suja dos empreendimentos racistas do Brasil.”

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as denúncias contra a rede de supermercados.  Eles investigam a ação de dois seguranças, identificados como Valdir Bispo dos Santos e David Oliveira Fernandes, que torturaram um jovem negro de 17 anos que havia tentado furtar um chocolate. Ele foi despido, amarrado e amordaçado e, por fim, chicoteado, nu, com pedaços de fios elétricos.

Os policias também investigam imagens que mostram um outro homem com marcas de chicotadas, e também de uma criança sofrendo tortura psicológica dentro de uma unidade do Ricoy.

*Com informações da Ponte Jornalismo