Violência

MPF quer que governo garanta segurança em área no Pará onde missionária foi morta

Guaritas foram desativadas depois de extinto contrato do Incra com empresa especializada. Assentados têm sido ameaçados, e área registra roubo de madeira

Tomaz Silva/Agência Brasil
Dorothy Stang foi morta com seis tiros quando caminhava em um lote, em Anapu, no Pará

São Paulo –O Ministério Público Federal (MPF) no Pará fez pedido à Justiça de Altamira, em caráter de urgência, para que o governo reative guaritas de segurança na região do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, em Anapu. Segundo o MPF, uma quadrilha ameaça os assentados e rouba madeira de alguns lotes, na área que se tornou famosa pelo assassinato da missionária Dorothy Stang, em 2005. “Mesmo com toda a tensão causada pelos invasores, no fim de agosto o governo federal desativou guaritas de vigilância que foram colocadas no local para controlar o trânsito de pessoas”, diz o Ministério Público.

O pedido é direcionado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O MPF quer que o Incra “seja obrigado a retomar o funcionamento das guaritas de vigilância que, por sua posição estratégica, dificultam a retirada de madeira e gado ilegal, bem como impedem a passagem de invasores”. O órgão acrescenta que, em reunião com representantes do Incra no início deste mês, foi informado que as guaritas foram desativadas após extinção de contrato de prestação de serviços com uma empresa de segurança.

“Na reunião, o MPF recebeu a informação de que o Incra reduziu o quantitativo de seguranças contratados para toda a região de Santarém, Altamira e Anapu. A investigação do MPF também apontou para a abertura de uma nova estrada de madeireiros, chamada vicinal Água Preta, que vem favorecendo a atividade de ladrões de terras públicas e madeira”, acrescenta o Ministério Público. “Por esse motivo, além da reativação das guaritas de segurança, é preciso efetivar a retirada dos invasores, fazendo cumprir uma liminar que a Justiça Federal já concedeu em processo de reintegração de posse iniciado pelo próprio Incra.”

Dorothy Stang foi assassinada em 12 de fevereiro de 2006, com seis tiros,  enquanto caminhava em um lote que ainda não fazia parte do PDS Esperança. Fazendeiros foram condenados como mandantes.