Democratização

Ferramenta destaca perfil profissional de mulheres negras produtoras de tecnologia

Criado pelo PretaLab, site reúne perfis para conhecimento das empresas de TI, ainda muito desiguais nos quesitos gênero e raça. "Ter mais diversidade pode de fato transformar a sociedade", destaca coordenadora da iniciativa, Silvana Bahia

Olabi/Reprodução
Levantamento mostra que em 21% das equipes de tecnologia do país não há sequer uma mulher, enquanto que em 32,7% dos casos, não há nenhuma pessoa negra

São Paulo – Homens, brancos, jovens de classe sócio-econômica média e alta, e que começaram a vida profissional a partir de centros formais de ensino . Esse é o principal perfil das pessoas que trabalham com tecnologia no Brasil, setor que deixa de fora principalmente as mulheres negras, como mostra levantamento realizado pelo PretaLab em parceria com a Thoughtworks. Divulgado na semana passada, a pesquisa “Quem coda o Brasil?”, indicou que em 21% das equipes de tecnologia do país não há sequer uma mulher, enquanto que em 32,7% dos casos não há nenhuma pessoa negra e, em 95,9% das vezes, não havia nenhuma pessoa indígena entre os profissionais das empresas de TI.

Com dados coletados entre novembro de 2018 a março de 2019, em 21 estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, o estudo comprovou que além da baixa diversidade de gênero, por um recorte racial, a área de tecnologia é principalmente desigual para as mulheres negras. Para a diretora de Programas da Olabi e coordenadora da PretaLab, Silvana Bahia, esse quadro de pouca representatividade é resultado da baixa qualificação, do preconceito, da falta de conscientização das empresas, mas também da dificuldade em olhar para o acesso e manutenção dessas pessoas nos espaços corporativos.

Foi pensando nessas falhas que a organização social, criada para democratizar a produção de tecnologia, lançou na quinta-feira (29) uma ferramenta digital que reúne perfis de mulheres negras que trabalham em tecnologia em diversas áreas. “Agora a gente espera estourar as bolhas e chegar em mais pessoas. Isso é um desdobramento de um levantamento que fizemos em 2017, mas agora com cara e link de rede social, uma resposta para isso de ‘ah, não encontro mulheres negras qualificadas nessa área’. Entra lá que você encontra”, destaca a coordenadora aos jornalistas Glauco Faria e Nahama Nunes, da Rádio Brasil Atual.

As mulheres negras e indígenas que querem se cadastrar, podem fazer o registro na aba “perfis” disponível no site da PretaLab. De acordo com Silvana, antes mesmo da plataforma vir a público já tinham mais de 100 perfis cadastrados.

Mesmo em meio ao contexto de desemprego, que prejudica em sua maioria mulheres negras e jovens como mostram dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o mercado de tecnologia tende a ser promissor no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups, o setor irá precisar de cerca de 420 mil profissionais até 2024. “É por isso que a gente quer estimular que as mulheres negras olhem para esse cenário como oportunidade de empregabilidade e renda, e na diversidade na produção de tecnologia (…) A gente se pergunta muito pouco sobre quem produz as tecnologias e a quem elas estão servindo. Ter mais diversidade pode de fato transformar a sociedade”, avalia Silvana.

Você pode se cadastrar no PretaLab clicando aqui.

Confira a entrevista da Rádio Brasil Atual 

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