DIA DE MOBILIZAÇÃO

Coletivos do movimento negro e das periferias protestam pelo assassinato de Ágatha Félix

Pelo menos cinco cidades protestam contra a violência de Estado, que culminou com a morte da menina de 8 anos no Complexo do Alemão, no Rio

voz da comunidade
Moradores do Complexo do Alemão saíram às ruas no sábado (21) para protestar, indignados pela morte da menina por um policial, segundo testemunhas

São Paulo – Nesta sexta-feira (27), os coletivos do movimento negro e representantes das comunidades de favelas realizam manifestações públicas contra a violência de Estado em ao menos cinco cidades do país. O Ato Nacional Unificado por Ágatha Félix, pela Vida e contra o Genocídio Negro é motivado pela morte da menina de 8 anos, baleada nas costas na última sexta-feira no Complexo do Alemão. As investigações em curso e os testemunhos de moradores apontam que a bala partiu de um fuzil da Polícia Militar.

No Rio de Janeiro, a concentração começa às 17h na entrada da Grota, perto da Vila Olímpica Carlos Castilho, no Complexo do Alemão. A Baixada Fluminense também participa, com encontro marcado para as 17h30, na praça Direitos Humanos, na cidade de Nova Iguaçu.

Em São Paulo, o ato tem início marcado para as 18h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Este ato, convocado pelo coletivo Coalizão Negra, foi o primeiro a ser agendado, servindo como estímulo para que outras cidades, incluindo o Rio, marcassem suas mobilizações para a mesma data, quando o assassinato de Ágatha completa uma semana. Em Porto Alegre, a manifestação deve ocorrer a partir das 17h30, na Praça do Aeromóvel. Em Recife, às 17h , na Praça do Diário.

A política de morte e opressão sobre as comunidades de favelas e periféricas tem se intensificado no Brasil. No Rio, a plataforma Fogo Cruzado emite boletins diários que informam ocorrências desse tipo na cidade.

Até esta quinta, segundo a Fogo Cruzado, com a morte de Roberto Carlos Moura Pinto, de 50 anos, atingido por bala perdida perdida durante operação policial no bairro Amendoeira, em São Gonçalo, na noite de terça-feira, chegam a 144 as pessoas feridas da mesma forma no Grande Rio. 42 morreram, num total de 128 ocorrências do tipo. Os números já ultrapassam o ano de 2018 inteiro, quando a Fogo Cruzado reportou 32 mortos e 28 feridos em 110 ocorrências.

Outro dado alarmante: subiu para 65 o número de chacinas (casos com três ou mais civis mortos em uma mesma situação) no Grande Rio. Na noite de quinta, três mulheres foram mortas a tiros dentro de uma casa na Vila Centenário, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No total, neste ano, 241 civis foram mortos em chacinas, segundo a Fogo Cruzado.

Como a morte de Ágatha despertou comoção popular – e também reações de apoiadores da política de morte de governadores como Wilson Witzel – os coletivos que militam no setor decidiram realizar os protestos para denunciar a já antiga violência oficial, que se aprofunda neste momento sob o governo federal e governos estaduais alinhados aos métodos de repressão sobre as periferias como método de segurança pública.

* Com Isaías Dalle, da Fundação Perseu Abramo