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#DesculpaBrigitte

Brasileiras pedem desculpa à primeira-dama da França e repudiam Bolsonaro. ‘Não nos representa’

Grupo suprapartidário com 40 mil mulheres lança manifesto em apoio a Brigitte Macron, e brasileiras emplacam #DesculpaBrigitte após comentário machista reforçado pelo presidente Jair Bolsonaro
Publicado por Clara Assunção
14:47
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Governo da Ucrânia

Ao ser lançada, nesta segunda, hashtag ficou nos trends topics brasileiros. Movimentos de mulheres também criaram manifestos contra postura do presidente

São Paulo – Não demorou para que as brasileiras respondessem ao comentário machista publicado no Twitter e reforçado pelo presidente Jair Bolsonaro, a respeito da primeira-dama da França, Brigitte Macron. Organizadas, as mulheres emplacaram nesta segunda-feira (26) a #DesculpaBrigitte que, em pouco tempo, alcançou os trending topics da rede social no Brasil.

O apoio das brasileiras levou em conta a repercussão vexatória provocada por Bolsonaro que, acuado pelas críticas à sua gestão ambiental, apontadas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em decorrência das queimadas na Amazônia, rebateu com ofensas de ordem pessoal, ao comentar uma montagem feita por um seguidor do presidente na qual o casal francês aparece junto a uma imagem do brasileiro com sua esposa, Michelle Bolsonaro, sob a pergunta: “Agora entende por que Macron persegue Bolsonaro?”.

O conteúdo, que buscava ironizar a aparência e as diferenças de idade das primeiras-damas – Brigitte é 25 anos mais velha que Macron, e Michelle é 27 anos mais jovem que Bolsonaro – foi apoiado pelo ex-capitão que respondeu: “Não humilha cara. Kkkkkkk”. A troca de mensagens não foi poupada de críticas na mesma rede social. “O Brasil é o 5º país mais violento do mundo contra as mulheres, e Bolsonaro reforça o machismo, o sexismo e a misoginia ao atacar Brigitte Macron. Ele não ofendeu só a Brigitte, mas todas nós, mulheres.”, destacou a deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

“Machista, preconceituoso, autoritário e antipovo!! Esse é o governo Bolsonaro!”, avaliou a deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS). A #DesculpaBrigitte também foi usada por mulheres no Brasil e no exterior de diversos espectros e atuação, em português e francês, repercutindo ainda nos jornais da França como o Le Figaro, que chegou a ironizar o fato dos brasileiros estarem pedindo desculpas pelo presidente.

O jornal Le Parisien destacou as reações positivas às mensagens de solidariedade, que teriam emocionado a primeira-dama, de acordo com nota da Rádio França Internacional, a RFi. Internautas aproveitaram dos atos de apoio a Brigitte para também criticar as posturas de Bolsonaro que “envergonham o país”. “Ele não nos representa”, destacam as postagens.

O Grupo de Mulheres do Brasil, formado por 40 mil participantes, manifestou seu repúdio ao presidente por meio do Núcleo de Paris. A rede, descrita como suprapartidária, se colocou à disposição para dialogar com o presidente brasileiro sobre a desigualdade e a violência de gênero que vitimizam as mulheres brasileiras. “Repudiamos qualquer tipo de atitude sexista ou machista e achamos que o dever de um presidente é repelir comportamentos deste tipo, em vez de referendá-los”, destacou o manifesto.

De acordo com RFi, o coletivo “Brasileiras em Paris” endereçou uma carta à primeira-dama francesa destacando solidariedade e indignação com as atitudes de Bolsonaro que, “assim como sua política, não nos representam”, conforme registraram as cerca de cinco mil integrantes do grupo.