Violência no campo

Assassinato de líder sindical causa revolta em Rio Maria, no Pará

Na cidade conhecida como "terra da morte anunciada", terceiro presidente de sindicato é morto. Dirigentes de entidades cobram justiça e punição dos culpados

Arquivo EBC
Carlos estava "marcado para morrer", diz sindicalista. Outras duas mortes foram encomendadas por fazendeiros da região

São Paulo – Dirigentes sindicais do Pará estão revoltados com o assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do estado, e exigem apuração e punição aos mandantes do crime. Carlos Cabral Pereira foi executado, com quatro tiros, na tarde desta terça-feira (11). Já perto de sua residência, ele teria sido abordado por dois homens em uma moto.

Essa é a terceira morte de um presidente da entidade na região do interior paraense, popularmente conhecida como “Terra da Morte Anunciada”, em que a fama não é à toa em circunstância dos conflitos de terra e  de violência dos ruralistas, como explica o presidente da CTB no estado do Pará, Cleber Rezende, ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual.

De acordo com Rezende, o assassinato do líder sindical aconteceu no dia em que vários dirigentes estavam reunidos para preparação da greve geral que será realizada nesta sexta-feira (14) em todo o Brasil. “Carlos sofreu um atentado em março de 1991 e, desde então, vem estando presente na lista chamado dos ‘marcados para morrer”, afirma o presidente. “O estado brasileiro precisa combater esse tipo de crime e evitar que lideranças sindicais, do povo, sejam assassinadas pela bala do latifúndio”.

Em 1985, o então presidente do sindicato, João Canuto foi brutalmente morto com 12 tiros. Em 1991, o sucessor de Canuto, Expedito Ribeiro também foi assassinado. Ambos por fazendeiros da região. Para o dirigente bancário no Pará, José Marcos Fonteles Araújo, a morte de Carlos não pode ficar impune. “O crime organizado dos milicianos que atuam no campo do sul do Pará, e transformaram Rio Maria na terra da morte anunciada, tem mandantes. São covardes, fazendeiros que mandam matar”, afirma.

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