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Mortes no trânsito sobem pela primeira vez em três anos na capital paulista

Foram 849 mortes no trânsito em 2018, contra 797 em 2017, uma alta de 6,5%. O aumento de acidentes fatais se deu principalmente entre pedestres e motociclistas
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
11:14
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Amauri Nehn/Brazil Photo Press/Folhapress

Aumento de mortes no trânsito na capital paulista minam discurso eleitoral da gestão e meta de redução de mortalidade

São Paulo – Poucas semanas após o prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), lançar o Plano Municipal de Segurança Viária, dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelam que ocorreram mais mortes no trânsito na capital paulista em 2018 do que a média dos três anos anteriores. O conjunto das Marginais Pinheiros e Tietê teve aumento de mortes em acidentes pelo segundo ano consecutivo. A prefeitura, cuja gestão foi eleita com o lema “acelera São Paulo” e teve como primeira ação elevar as velocidades máximas das marginais, agora fala que houve uma “febre de mortes” no final de 2018.

Os dados divulgados hoje (23) pela CET mostram que a cidade registrou 849 mortes no trânsito, em 2018, contra 797 em 2017, um aumento de 6,5%. Com isso, também subiu o índice de mortalidade por 100 mil habitantes, que foi de 6,56 em 2017 para 6,95 em 2018 – alta de 5,9%. A meta da gestão Covas – e de seu antecessor, o atual governador paulista, João Doria (PSDB) – era baixar o índice para 6 mortes por 100 mil habitantes até 2020.

Em 2018, os motociclistas passaram a ser as maiores vítimas fatais de acidentes de trânsito. Foram 366 mortes de motociclistas, no ano passado, contra 311 em 2017. Os pedestres também foram mais vitimados: de 331 mortes no trânsito em 2017, para 349, no último ano. Após um aumento no ano retrasado, as mortes de ciclistas caíram, apesar da gestão ter abandonado a manutenção de ciclovias. Foram 37 mortes em 2017. Em 2018, ocorreram 19.

Os acidentes fatais mais frequentes em 2018 foram os atropelamentos, com um total de 350, seguidos por colisões (entre dois veículos) e choques (impacto de um veículo contra um obstáculo fixo), que somaram respectivamente 235 e 148 ocorrências.

No caso das Marginais, onde a primeira ação da atual gestão foi o aumento das velocidades máximas nas vias, o número de mortes no trânsito aumentou de 34 para 36 entre 2017 e 2018. Em 2016, quando a restrição de velocidades estava em vigor, foram registradas 26 mortes nas duas vias. Na segunda-feira (20), os motociclistas passaram a ser proibidos de circular na pista expressa da Marginal Pinheiros, sentido Rodovia Castello Branco, como parte do plano da gestão Covas para reduzir mortes no trânsito. Eles já não podiam circular na expressa da Marginal Tietê. O plano, no entanto, é considerado medíocre por especialistas.

Organizações de pedestres e ciclistas da capital paulista lamentaram o aumento de mortes, mas afirmaram que esse resultado já era esperado, devido ao abandono das políticas de acalmamento de tráfego e ampliação de ciclovias, que vinham sendo aplicadas na gestão de Fernando Haddad (PT). “Não foi o que aconteceu desde o início da gestão Doria-Covas, que teve como primeira ação o cumprimento da nefasta promessa eleitoral de, contra todas as evidências teóricas, empíricas e numéricas, aumentar os limites de velocidade máxima nas marginais Tietê e Pinheiros”, afirmam as associações Cidadeapé e Ciclocidade.

Segundo as entidades, conforme as ações impactam o trânsito e reduzem o número de mortes, políticas mais firmes e sofisticadas precisam ser aplicadas para garantir a continuidade da diminuição de mortes. Na contramão desse roteiro, a prefeitura não só interrompeu a implementação de ciclovias, como chegou a eliminar alguns trechos.

“Esta gestão havia se comprometido com o objetivo tímido de reduzir as mortes de trânsito de 7,07 por 100 mil habitantes para 6 por 100 mil habitantes até 2020. No entanto, dois anos após o início do governo, a Prefeitura decidiu reduzir as ações propostas para alcançar esse objetivo, sob o pretexto de adequação ao orçamento. Os projetos de melhoramento na sinalização e fiscalização em 10 avenidas reduziram para 8, enquanto a implantação de áreas calmas reduziu de 10 para 5. É importante ressaltar que as propostas colocadas no início da gestão já se mostravam pouco ambiciosas”, avaliam as organizações.

E cobram que a gestão Covas se comprometa em construir soluções realistas. “O aumento no número de morte de elementos vulneráveis no trânsito, como pedestres e ciclistas, reforça a necessidade urgente de forçar a redução de velocidades por toda a cidade. E isso deve ser feito não apenas com a implantação de radares e fiscalização por toda a cidade, mas também com projetos de mudanças nos desenhos das ruas, de forma a obrigar motoristas a dirigirem com o máximo de cautela e atenção”, exemplificam.

Uma novidade do relatório é que foram obtidos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) para relacionar os acidentes com o local de moradia das vítimas. O cruzamento revelou que quatro em cada dez mortes em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo ocorreram a menos de 2 quilômetros da casa da vítima. Aproximadamente 50% dos pedestres, 37% dos ciclistas, 35% dos condutores e passageiros, além de 27% dos motociclistas, morreram próximo de sua residência. Os dados apontam a necessidade de investimento em segurança viária nos bairros, não só nas grandes avenidas.