Acampamento Terra Livre

‘Não é nesse governo que os povos indígenas vão baixar a cabeça’

Liderança indígena afirma que manifestação programada para o dia 23 ocorre todos os anos com o objetivo de defender os direitos dos índios previstos na Constituição

EBC
Acampamento Terra Livre

Lindomar Terena diz que o Estado brasileiro está em dívida com os índios, cuja luta envolve também a defesa da natureza

São Paulo – O tradicional Acampamento Terra Livre, que este ano está marcado para ocorrer entre os dias 24 e 26, nunca protagonizou violência. A afirmação é do líder indígena Lindomar Terena, integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Terena considera a decisão do ministro da Justiça, Sergio Moro, de convocar a Força Nacional de Segurança para atuar em Brasília pelos próximos 33 dias uma demonstração de incapacidade de conviver com a democracia e de respeitar os direitos dos índios.

“É um contexto diferente, em que o Estado se posiciona declaradamente contra os direitos dos povos indígenas. É evidente que não vamos sair da nossa região para afrontar alguém, vamos lá defender o nosso direito, o futuro das nossas gerações. Agora, uma vez que o Estado decreta por 33 dias o uso da Força Nacional, dizem eles que é para cuidar do patrimônio público, quando na verdade demonstra a incapacidade de diálogo no sentido de cumprir o que diz a Constituição Federal brasileira”, afirma Terena à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual. “Não vamos confrontar, mas não vamos recuar. Não é nesse governo que os povos indígenas vão abaixar a cabeça e dizer amém para eles.”

Segundo ele, o encontro será um grande evento, reunindo lideranças indígenas de diversos lugares do país. Lindomar Terena explica que o Acampamento Terra Livre, a principal e a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil, representa uma luta de resistência pelo direito de existir e pelo reconhecimento territorial que vem desde 1500.

“A luta dos povos indígenas não é apenas dos povos indígenas, é a defesa do meio-ambiente e da natureza, e acima de tudo a luta pelos nossos direitos. O Estado brasileiro está em dívida com os povos indígenas. Os povos indígenas têm cobrado a demarcação do seu território, têm cobrado a implantação de uma saúde diferenciada, de uma educação de melhor qualidade. Tudo isso dentro da lei. É uma luta que sempre foi pacífica, sempre foi buscando o que está escrito na Constituição Federal brasileira”, pondera o também integrante do Conselho do Povo Terena.

Por outro lado, ele reclama que a violência protagonizada por ruralistas contra os índios brasileiros não é motivo de preocupação por parte do governo Bolsonaro.

Ouça a entrevista na íntegra