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Governador vetou

MST convoca ato público para defender feira no Parque da Água Branca

Manifestação em prol da realização da quarta edição da feira da reforma agrária será nesta quarta-feira, às 15h, no interior do parque. Objetivo é sensibilizar governo Doria a rever veto
Publicado por Redação RBA
Cidadania
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Márcia Minillo/RBA
MST feira Parque da Água Branca

O MST realiza na Água Branca sua Feira Nacional da Reforma Agrária desde 2015, mas Doria resolveu proibir o evento

São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) convida apoiadores e consumidores da Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca para uma manifestação nesta quarta-feira. O ato público está marcado para ocorrer nas dependência do parque, na zona oeste paulistana. O objetivo é pressionar o governador João Doria a rever o veto à realização do já tradicional evento no local, como tem ocorrido nos meses de maio.

Vinculado à Secretaria Estadual de Agricultura de São Paulo, o Parque da Água Branca sediou as três primeiras edições da feira promovida pelo MST, durante a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). No entanto, o atual governador, o também tucano João Doria, vetou o uso do espaço, alegando que parques podem comportar até 5 mil pessoas e que o público do MST ultrapassa 200 mil.

Desde a semana passada, um abaixo-assinado pedindo a permanência está circulando nas redes sociais. Uma das signatária da campanha, a chef de cozinha Bel Coelho, considera arbitrária a decisão de Doria. Ela defende a feira como um evento formador de uma consciência agroecológica e de segurança alimentar. 

“É uma oportunidade anual e maravilhosa dos cidadãos urbanos conhecerem um pouco mais sobre a rede do alimento e também descobrir produtos nativos brasileiros e aos quais a gente normalmente não tem acesso”, afirma Bel Coelho, destacando que a feira reúne centenas produtores de alimentos orgânicos e agroecológicos de todo o país.

Para a chef, o evento é mais do que uma feira de alimentos, sendo também um rico espaço de discussão sobre cultural alimentar popular e a democratização da produção agrícola no Brasil, temas diretamente relacionados à saúde dos brasileiros e ao meio-ambiente. “É uma decisão arbitrária, política e que, no fundo, prejudica somente a população.”

Ouça entrevista de Bel Coelho à Rádio Brasil Atual

Para a coordenação do movimento, a justificativa de que a estrutura do parque não comporta o evento não condiz com a realidade, uma vez que as edições anteriores do evento transcorreram sem problemas. O público total da feira não tem uma presença simultânea.  A visitação ocorre no decorrer do dia, durante quatro dias.

O impedimento soa parte de uma campanha do governador tucano de perseguição e criminalização ao movimento que incorporou a produção de alimentos mais saudáveis, sem uso de agrotóxicos e transgênicos, à sua luta por reforma agrária desde que foi fundado, há 35 anos. Durante sua campanha ao governo, inclusive em debates na TV, Doria foi incisivo em relação ao movimento, sempre classificando-o como grupo “terrorista”.