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Lésbicas e bissexuais enfrentam dificuldades no atendimento à saúde sexual

Despreparo médico, preconceito e falta de dispositivos oprimem essa comunidade na busca por atendimento à saúde. Jornalista expõe situação em livro que discute descumprimento dos direitos sexuais
Publicado por Redação RBA
16:41
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Fernando Frazão/EBC
Lésbicas saúde

No livro ‘Vem cá: vamos conversar sobre a saúde sexual de lésbicas e bissexuais’ jornalista denuncia descaso

São Paulo – Em 2015, por conta de uma infecção, Larissa Darc procurou atendimento ginecológico tanto no sistema público quanto no privado para realizar tratamento. Nas duas ocasiões passou por constrangimentos ao relatar que não mantinha relações sexuais com homens e sim, com mulheres. O episódio levou a jornalista a pesquisar mais sobre o atendimento à saúde sexual da comunidade LGBTI e, a partir dessa experiência, surgiu o livro Vem cá: vamos conversar sobre a saúde sexual de lésbicas e bissexuais, recém-lançado. Em entrevista à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual, a autora relata que, mesmo sendo uma luta antiga do movimento LGBTI, os direitos sexuais dessas mulheres ainda não são garantidos de forma integral.

“Não existe nenhum dispositivo desenvolvido para o sexo entre vaginas. A camisinha feminina não foi feita para o sexo lésbico. A gente fica à mercê de infecções porque não existe nenhum dispositivo”, contesta a jornalista.

Em 2011, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Saúde LGBT que buscava garantir atendimento às mulheres lésbicas e bissexuais e o respeito às vivências das suas sexualidades. No entanto, o que Larissa encontrou nos relatos de mulheres da comunidade foram mais casos de constrangimentos e negação de exames e consultas.

A falta de dispositivos, como alerta Larissa, prejudica a saúde das mulheres expondo-as às doenças sexualmente transmissíveis. A ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do projeto Afrodite, do Centro de Sexualidade Feminina da Unifesp, destacou também a postura dos médicos no atendimento.

“O preconceito que elas sofrem da comunidade, no geral, elas podem sofrer dos médicos também, então, é muito importante que o médico seja educado para não cometer algo que possa incomodar essas mulheres, até porque eles estão ali como profissionais e não para emitir opiniões pessoais”, afirma.

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