Demarcação de terras

Indígenas definem mudanças na Funai como prioridade na luta por direitos

Cancelar a transferência do órgão para o Ministério da Agricultura, comandado por ruralistas, é o principal tema de reivindicação definido no Acampamento Terra Livre

Christian Braga / MNI
Acampamento Terra Livre prioriza MP 870

Indígenas alertam que mudanças feitas pelo governo Bolsonaro visa liberar empreendimentos em seus territórios

São Paulo — O encerramento de mais uma edição do Acampamento Terra Livre, em Brasília, a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil, foi concluído com a elaboração de um documento com críticas ao governo federal e reivindicações de direitos. A Medida Provisória (MP) 870, que retira a Funai do Ministério da Justiça e transfere o órgão responsável pela demarcação das terras indígenas para a pasta da Agricultura, foi colocada como prioridade do documento.  

“Está (a MP) tirando todos os direitos dos povos indígenas. Antigamente a Funai tinha certa liberdade, hoje ela está sucateada, e o indígena, principalmente da Amazônia, não sabe como pedir ajuda”, alerta Alessandra Korap Munduruku, liderança indígena da etnia Munduruku,  do Pará, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual

Ela afirma que as mudanças promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) tem como objetivo liberar empreendimentos na região amazônica e nas terras indígenas, principalmente a mineração. “A Amazônia é onde nós moramos e sobrevivemos, da caça e do peixe.”

Alessandra Korap explica que tradicionalmente a implementação de políticas públicas na Amazônia é muito difícil, e mais ainda em terras indígenas. A situação, entretanto, tem ficado pior. É o caso da saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos, cuja ausência prejudica muito o atendimento de saúde dos índios. Na educação, o drama é semelhante. 

“Tem uma escola de ensino médio que está há três anos parada, com jovens esperando ter o ensino médio dentro da aldeia”, conta a liderança indígena. “Eles aprovam no Congresso e esquecem que quem sofre é o povo que está aqui na base, aqui no mato, e eles nem sabem o que está acontecendo. A gente briga pelos nossos direitos que, infelizmente, o governo está tirando. Agora no governo Bolsonaro, é corte para todo lado.” 

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