ação solidária

Com Brasil no Mapa da Fome, MTST lança campanha de arrecadação de alimentos

Até maio, ação 'Periferia Sem Fome' busca garantir o direito à alimentação dos trabalhadores sem-teto que integram comunidades em ocupações do movimento

DIVULGAÇÃO
Campanha contra a fome MTST

Guilherme Boulos afirma que as políticas de austeridade de Bolsonaro agravam as condições de alimentação da população

São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) lançou a Campanha Nacional de Arrecadação de Alimentos “Periferia Sem Fome, na última quinta-feira (18). A ação, que vai até 17 de maio, destinará as arrecadações às famílias que fazem parte das ocupações e das comunidades acompanhadas pelo movimento.

As doações serão feitas em pontos de coleta nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Também podem ser feitas doações virtuais por meio do site do movimento.

Em vídeo de divulgação da campanha, o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, lembra que as políticas de austeridade de Bolsonaro agravam as condições de alimentação da população. “A cada dia que passa, a vida do nosso povo só piora. Desemprego, redução salarial, perda de oportunidades. Milhões de brasileiros voltaram a conviver com o fantasma da fome”, afirma.

A nota divulgada pelo movimento para divulgar a campanha relembra que o direito à alimentação foi incluído, em 2010, no artigo 6º da Constituição Federal e, portanto, deveria ser assegurado pelo Estado brasileiro.

“Nas grandes cidades esse cenário é ainda mais dramático. Com dificuldades de optar pela produção de alimentos e com o esgarçamento das relações de solidariedade nas comunidades, fruto do individualismo crescente em nossa sociedade, certamente inúmeras famílias já têm passado parte do mês com acesso escasso aos alimentos. Entre os participantes do MTST esse se tornou um debate cada vez mais relevante”, diz o texto.

Mapa da Fome

O Brasil voltou aos patamares de pobreza e extrema pobreza de 12 anos atrás, segundo o levantamento da ActionAid Brasil. Dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), do IBGE, mostram que, entre 2016 e 2017, a pobreza da população passou de 25,7% para 26,5%. Enquanto os extremamente pobres, que vivem com menos de R$ 140 mensais (pela definição do Banco Mundial), saltaram de 6,6%, em 2016, para 7,4%, em 2017. 

Com a baixa renda, a insegurança alimentar volta a ser uma realidade para o país, que há três anos havia deixado o Mapa da Fome da ONU. Na contramão da resolução desse problema, o qual afeta milhares de brasileiros, em janeiro, o Governo Bolsonaro realizou o fechamento do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) por conta das mudanças administrativas trazidas pela Medida Provisória 870, de 2019.

O Consea compunha o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), órgão que contribuiu para a formulação de políticas públicas de combate à fome e de incentivo à produção de alimentos saudáveis no país, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), lançado pelo governo Lula (PT) como um dos “braços” do programa Fome Zero.

Com informações do Brasil de Fato

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