Em goiás

Assassinato de radialista simboliza impunidade de crimes contra jornalistas

Morto há sete anos após críticas à diretoria do Atlético Goianiense, caso do cronista Valério Luiz ainda não foi julgado

Reprodução
Impunidade Valério Luiz

Crime vem sendo acompanhado pela opinião pública desde então para realização de júri popular. Juiz adiou julgamento em abril

São Paulo – Os cinco acusados de matar o radialista e cronista esportivo Valério Luiz, assassinado há sete anos após cumprir expediente na Rádio Jornal 820 AM, emissora em que trabalhava no estado de Goiás, ainda não foram a julgamento.

O assassinato teria como mandante o então vice-presidente do Atlético Goianiense, Maurício Borges que, ofendido com as críticas feitas pelo jornalista à diretoria do time, teria encomendado a morte. Valério foi alvejado por seis tiros e entre os acusados estão dois policiais militares.

A mais recente decisão judicial sobre o processo adiou mais uma vez o julgamento. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, titular da 3ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri, afirmou que não há estrutura na comarca para sua realização pelo fato de ser um caso de grande repercussão.

“Passamos pelos recursos dos acusados no STF e enfrentamos todas essas etapas para chegar o momento de realizar o julgamento em júri popular. Agora, esbarrarmos, para nossa surpresa, em uma limitação administrativa absurda como essa”, lamenta o advogado Valério Luiz Filho em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Desde a morte do pai, em 2012, Valério Luiz Filho vem lutando por justiça, e criou um instituto que leva o nome do cronista esportivo. “O assassinato do meu pai, a barbaridade sem limite e gratuita que foi, é um caso que realmente não tem como a gente seguir a vida sem conseguir justiça”, ressalta o advogado, observando que o caso reflete o cenário de impunidade e violações contra comunicadores do país.

“Os crimes contra jornalistas têm uma particularidade, geralmente são praticados pela elite política e econômica local”, pontua. “Isso tem reflexo na impunidade porque essas pessoas se utilizam de todos os seus recursos e influência para movimentar a máquina estatal local e não serem responsabilizados”, afirma.

Ouça a entrevista na íntegra