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Mulheres dispensam mensagens de parabéns e pedem fim da violência

Nas rede sociais, mulheres dão depoimentos de convivência diária com a violência e machismo para afirmar luta pela igualdade de gênero. Mobilizações ocorrem em todo mundo
Publicado por Redação RBA
16:56
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Fernando Frazão/EBC
Machismo e violência

Pautas como o fim do feminicídio e o combate à desigualdade de gênero também ressoam em manifestações internacionais

São Paulo – No lugar de flores ou parabéns pelo “Dia Internacional da Mulher”, mulheres de todo o país manifestam, por diversas hashtags no Twitter que rememoram neste 8 de março a luta pela igualdade de gênero, o fim da cultura do estupro e da objetificação da mulher e principalmente, o clamor pelo fim do feminicídio. De acordo com dados do Maa da Violência Contra a Mulher 2018, entre janeiro e novembro, só a imprensa brasileira veiculou 68.811 casos de violência contra a mulher, divididos em categorias como importunação sexual, violência on-line, estupro, feminicídio e violência doméstica. Desse total, os casos de assassinatos motivados por discriminação pela condição feminina são 15.925 registros.

“Troco flores por segurança, por poder ir e vir sem sentir medo de ser agredida, estuprada ou morta. Troco flores pelo direito de dizer não, de não ter minha vida roubada pelo fato de ser mulher”, publicou uma usuária das redes.

“De Dia das Mulheres eu só quero o fim de mortes das nossas, fim da violência que uma de nós está recebendo neste exato momento. Eu quero o fim do silêncio e a voz da denúncia. Quantas de nós vamos morrer? Quantas vão ser apenas números? Eu só quero respeito”, tuita outra internauta.

A recente pesquisa Visível e Invisível: A vitimização de mulheres no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública avalia os dados da violência e do assédio contra mulheres como um reflexo da desigualdade de gênero, que ganha mais profundidade à medida em que é feito um recorte social e de raça, em que mulheres negras estão ainda mais expostas à violência interiorizada na sociedade brasileira.

Mas, como ressalta a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ) em sua conta do Twitter, o Dia da Mulher é também uma data da resistência pela união feminina em todo o mundo. “Um chamado internacional de luta para que sejamos todas livres. É a denúncia da desigualdade e da violência que sofremos, mas também o anúncio de que nós, mulheres, estamos organizadas”, afirma a parlamentar.

Mobilização mundial

De fato, por ocasião da data, mulheres de todo o mundo têm saído às ruas para protestar contra as condições sociais que tentam rebaixar a posição feminina.

Comum ao Brasil, a mobilização na vizinha Argentina também reflete questões associadas à política local com protesto contra o governo de Maurício Macri, tendo à frente da manifestação desta sexta-feira (8) o movimento Ni Una Menos que protagoniza a luta pelo aborto seguro e pelo fim da violência de gênero desde 2015.

Na Espanha, segundo informações do portal G1, trabalhadoras entraram em greve geral para reivindicar igualdade salarial. Organizada por grupos feministas, as mulheres conseguiram uma enorme adesão à paralisação que pede ainda por mais respeito.

Em Berlim, na Alemanha, pela primeira vez, a data tornou-se feriado, onde protestos também estão sendo organizados, de acordo com a Folha de S. Paulo, com apoio de entidades sindicais e organizações pelos direitos das mulheres e dos refugiados.

O feminicídio e a violência contra a mulher também foram pautados em Nairobi, capital do Quênia. O movimento de mulheres protesta para que o poder público local reconheça a gravidade desses problemas sociais e seja criado um plano nacional de combate à violência e morte dessas mulheres.