Reparação

Movimento negro pressiona e shopping Higienópolis recua de ação judicial

Administradores do empreendimento firmaram acordo com ativistas incluindo medidas de reparação e projeto de proteção para pessoas em situação de rua, após querer apreender crianças e adolescentes

Douglas Belchior/Facebook
Racismo shopping Higienópolis

Pelo acordo, Shopping Higienópolis elaborá projeto de atendimento para jovens e adultos em situação de rua

São Paulo – Após ingressar com uma ação judicial para poder apreender crianças e adolescentes em situação de rua, o Shopping Pátio Higienópolis, localizado em região nobre da capital paulista, fechou um acordo nessa quinta-feira (7) recuando da medida considerada “racista” e “higienista”.

O acordo foi firmado com os administradores do empreendimento após pressão de entidades da sociedade civil e representantes do movimento negro que, desde o conhecimento do pedido judicial, vinham ao longo das últimas duas semanas promovendo ações de repúdio.

De acordo com uma das lideranças do movimento e integrante da Uneafro Brasil, Douglas Belchior, o shopping renunciará ao recurso e não recorrerá da decisão da Justiça que, sob a análise da juíza Monica Arnoni, da Vara da Infância e Juventude, negou o pedido do empreendimento por ver como “um salvo-conduto para efetivar no estabelecimento uma genuína higiene social”.

Os movimentos também conseguiram firmar a emissão de uma nota formal pelo shopping de retratação e com encaminhamentos, além da instituição imediata de um grupo de trabalho misto para elaboração de um projeto de atendimento às crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade. O shopping se comprometeu também a promover campanhas de conscientização e formação para diversidade e combate ao racismo no estabelecimento.

A previsão, ainda de acordo com informações divulgadas por Douglas Belchior, é de que a primeira reunião de trabalho ocorra em 20 de março, com a participação também de entidades como a Associação de Amigos e Familiares Presos (Amparar), Movimento Nacional e Estadual de População de Rua, Quilombaque, Rede de Proteção Contra o Genocídio, Uneafro Brasil e a Defensoria Pública de São Paulo.