Crime organizado

Polícia suspeita de milicianos infiltrados na investigação da morte de Marielle

Socióloga afirma que caso dos assassinatos de Marielle e Anderson deve tocar em elementos cruciais da relação das milícias com o poder político

Ascom/Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Marielle na Câmara

Socióloga e assessora do IBCCrim, Jacqueline Sinhoretto, cobra explicações da família Bolsonaro quanto relação com milícias

São Paulo – Completado um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes, que dirigia o carro em que ambos foram emboscados, a Polícia Federal apura a suspeita de que um dos grupos mais violentos de milicianos, o Escritório do Crime, tenha agentes infiltrados na Delegacia de Homicídios, no Rio de Janeiro, que apura o delito político.

As suspeitas têm por base o depoimento de delatores ouvidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR), de acordo com reportagem do UOL, entre eles o ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, apontado como integrante do grupo de milicianos.

Todo o processo de investigações dessa forma, criticado pela demora em fornecer respostas quanto ao mandante e a motivação dos assassinatos, que marcam este um ano sem Marielle, podem na verdade indicar de perto as engrenagens cruciais das milícias resvalando não apenas no crime organizado, mas também em setores políticos, como o próprio clã Bolsonaro, segundo observa a socióloga Jacqueline Sinhoretto, professora da Universidade Federal de São Carlos (UfsCar) e assessora da diretoria do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim).

“E a própria definição de crime organizado leva em conta que existem agentes do Estado protegendo as organizações criminosas”, explica Jacqueline, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

De acordo com a socióloga, o arsenal de 117 fuzis encontrados na casa de uma pessoa próxima ao executor do assassinato de Marielle e Anderson, o policial reformado Ronnie Lessa, comprova que, ao contrário dos discursos da família Bolsonaro, “as milícias não são entidades da sociedade civil que trabalham pela segurança pública”.

“Está ficando claro que as milícias são assassinas e que elas têm envolvimento com o tráfico pesado de armas. Então, tem coisas aí que precisam ser explicadas pela família Bolsonaro sim”, ressalta Jacqueline.

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