em São Paulo

Estado e Judiciário são responsáveis por tragédia em ocupação na zona leste

Com ressalvas quanto ao suspeito por incêndio na comunidade do Cimento neste sábado (23), padre Júlio Lancelotti não descarta a culpa do poder público pela tragédia, ao permitir reintegração de posse

Cecília Figueiredo/BdF
Incêndio comunidade do cimento

Famílias perderam todos seus pertences e precisam de doações de alimentos e roupas, que podem ser feito na Paróquia São Miguel

São Paulo – O incêndio que destruiu a Comunidade do Cimento, no entorno do Viaduto Bresser, zona leste da cidade de São Paulo, na noite de sábado (23), ainda não teve um suposto mandante apontado, embora um suspeito tenha sido preso no dia seguinte. Mas, para o padre Júlio Lancelotti, arcebispo de São Paulo, não resta dúvida quanto à responsabilidade do Estado e do poder Judiciário ao permitir a reintegração de posse do local.  

“Eu acho que o suspeito maior é o Estado e o Judiciário, porque eles são os causadores dessa tragédia”, afirma o religioso à jornalista Marilu Cabañas, entrevista à Rádio Brasil Atual. Entre as vítimas do incêndio que consumiu moradias de quase 500 pessoas, segundo o padre Júlio, deixando várias desabrigadas, há um homem, ainda não identificado, que morreu, neste domingo, como consequência das  queimaduras em seu corpo. Muitas crianças que viviam na ocupação ainda estão  assustadas por conta da situação, agravada por denúncias de truculência policial.

“Um deles, até eu trouxe uns caderninhos, ele fala para mim ‘perdi tudo, não posso ir para a escola, por que botaram fogo na minha casa ’”, descreve o arcebispo sobre um jovem. “Para a prefeitura, juíza e desembargador, lá eram barracos. Mas, para esses meninos, ali era a casa deles”, ressalta.

Após perder tudo no incêndio e serem atendidos pela Paróquia São Miguel, os moradores da comunidade precisam agora de donativos, como alimentos e roupas. Qualquer contribuição pode ser entregues na igreja, que fica na Rua Taquari, 1.100, na Mooca. 

Ouça a entrevista