Providências

Entidades cobram ações da prefeitura no amparo à Comunidade do Cimento

Centenas de moradores de ocupação na zona leste da capital paulista perderam tudo e estão desabrigados após incêndio no último sábado, às vésperas de reintegração de posse

Cecília Figueiredo/BDF
Incêndio Comunidade do Cimento

Órgãos da Justiça cobram ainda investigações quanto à ordem de reintegração de posse e sobre denúncias de truculência policial

São Paulo – O Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo realizaram uma reunião nesta quarta-feira (27) para cobrar medidas de amparo e investigação por parte da prefeitura paulistana e da Justiça visando encaminhar ações às famílias da Comunidade do Cimento. No sábado (23), centenas de moradores que ocupavam um espaço público no entorno do Viaduto Bresser, na zona leste da capital paulista, ficaram desabrigados após um incêndio devastar toda a comunidade, às vésperas de uma reintegração de posse.

Como solução, o município decidiu encaminhar as famílias para centros temporários de acolhida, mas a medida é contestada, como explica a moradora identificada como Rosiane em reportagem da Rádio Brasil Atual. “A gente não quer ir para albergue. O albergue é como se fosse um sistema penitenciário, a gente não tem autonomia para cozinhar, não pode ficar com os nossos pertences, temos que ficar dentro do quarto, não há vida”, explica, com a voz embargada.

O Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública também questiona a ordem de reintegração de posse autorizada pela juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública. “Nitidamente a juíza atropela uma escala que a Defensoria tem, e deve ser verificado o que aconteceu”, afirma o coordenador do núcleo, Rafael Lessa. 

As denúncias de agressão e abuso de autoridade dos policiais durante o incêndio, seguido da ordem judicial, também são alvo das apurações. Segundo o ouvidor das Polícias, Benedito Mariano, foi solicitado à Corregedoria da Polícia para que ela seja responsável pela averiguação da conduta dos agentes.

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