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Alerta

Sem mudanças, Linha 15-Prata tem risco de novos acidentes

Metroviários de São Paulo alertam que faltam sistemas de segurança para evitar que batidas entre trens, como a ocorrida em 29 de janeiro, voltem a ocorrer
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
14:09
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GUILHERME LARA CAMPOS/A2 FOTOGRAFIA
monotrilho de sp

Segundo metroviários, o risco ocorre pelo fato de a Linha 15-Prata contar apenas com o CBTC para garantir que os trens não colidam

São Paulo – Os metroviários paulistas afirmaram hoje (7), em entrevista coletiva, que a Linha 15-Prata (Vila Prudente/Vila União) de monotrilho do Metrô de São Paulo traz riscos à segurança dos usuários. “Se continuar como está o risco é grave. Se um trem em operação der uma pane e desligar, ele deixa de ser visto pelo sistema de operação (CBTC) e pode ocorrer um acidente”, explicou o coordenador do Sindicato dos Metroviários, Raimundo Cordeiro. O trecho teve um grave acidente entre duas composições em 29 de janeiro.

Segundo os metroviários, o risco ocorre pelo fato de a Linha 15-Prata contar apenas com o CBTC para garantir que os trens não colidam. E se um trem for desligado ele “desaparece” do sistema e pode ser atingido por outro. “Na Linha 2-Verde (Vila Prudente/Vila Madalena), que também usa o CBTC, os trens têm mais sistemas de segurança. Um para detecção física de outro trem, outro para detectar danos na via, por exemplo”, explicou Cordeiro.

Em documento divulgado na terça-feira (5) o Metrô alegou falha humana no acidente em que as composições M22 e M23 bateram na estação Jardim Planalto da Linha 15. Segundo a companhia, o operador desligou o trem e isso fez com que o CBTC da outra composição não pudesse detectá-lo. “O Metrô investiu R$ 1 bilhão no CBTC e abandonou os demais sistemas de segurança. Mas ele é insuficiente, como admite o próprio Metrô. Não é possível culpar o operador por esse problema”, ressaltou Cordeiro.

Para os metroviários, o acidente do dia 29 só não foi mais grave porque o operador do trem M22, que estava em movimento, percebeu o problema e ativou o freio de emergência. “É mentira que foi falha humana. O trem não ficou invisível por ação humana, mas devido ao CBTC. Esperamos que o Metrô não adote essa tática de culpar os trabalhadores, porque isso só empurra o verdadeiro problema para debaixo do tapete”, destacou o também coordenador Wagner Fajardo. “O trem estava no automático. O operador precisou se locomover até a frente do trem, abrir o console à chave e acionar o freio. Mas se não fosse isso, o acidente poderia ter sido mais grave”, completou.

Para que a operação seja considerada segura pelos trabalhadores, são urgentes algumas medidas. “Orientar o operador de trem para que permaneça no primeiro carro, próximo do console; aguardar que o operador se dirija ao primeiro carro, e avaliar, urgentemente, a instalação de sistemas secundários para reduzir o risco de colisão entre os trens”, detalhou o diretor do sindicato Sérgio Magalhães. “Em 50 anos de operação, o Metrô nunca registrou um acidente tão grave. Os metroviários têm total condição de fazer a operação segura do monotrilho. Para isso, a empresa precisa abrir espaço e ouvir os trabalhadores”, completou.

O Metrô ainda não concluiu o processo administrativo sobre o acidente na Linha 15. Os metroviários também reclamam que não estão tendo acesso ao processo de investigação, nem aos relatórios técnicos. A companhia não se manifestou.

O monotrilho da Linha 15-Prata devia ter construção mais rápida e menor custo, em comparação ao Metrô. No entanto, a obra coleciona atrasos e aumentos no custo. De 2009, quando foi anunciada pelo ex-governador José Serra (PSDB), até agora, o orçamento foi revisto de R$ 2,3 bilhões para R$ 5,3 bilhões. Isso para chegar até o bairro de Iguatemi, já que não há mais previsão de a obra chegar até Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade. Nesse caso, em 2016, o custo foi estimado em R$ 7,1 bilhões.

A primeira previsão de conclusão era para 2012. Porém, somente duas estações entraram em operação até 2018 (Vila Prudente e Oratório), quando outras quatro foram entregues: São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União. Em relação ao projeto original, faltam ainda 12 estações.