Em São Paulo

Movimentos sociais protestam contra racismo de ação do Shopping Higienópolis

Estabelecimento entrou na Justiça com pedido para apreender crianças em situação de rua. Para entidades e juíza que avaliou ação, pedido é 'tentativa de higienização social'

Marcelo Rocha/Alma Preta
Protesto Shopping Higienópolis

Movimentos apontam naturalização da prisão, ao mesmo tempo que se tenta impedir circulação em locais de lazer

São Paulo – Movimentos da luta antirracista e pelos direitos das crianças e adolescentes realizaram nesta quarta-feira (27) uma manifestação dentro do shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, em repúdio à solicitação feita pelo estabelecimento à Justiça, para apreender jovens em situação de vulnerabilidade que entrassem no shopping.

No pedido, o empreendimento alega que crianças e jovens cometem atos de vandalismo e de intimidação dos frequentadores para justificar seu pedido de autorização para que seus seguranças exerçam poder de polícia, em evidente configuração de “higienização social” e “racismo”, como explica a coordenadora do projeto Meninos e Meninas de Rua de São Bernardo do Campo, Néia Bueno, que participava do ato.

“Estamos vivendo tempos sombrios e em que temos de estar ligados, porque quando você pensa ‘não, esse bairro aqui não é para qualquer um, é um bairro diferenciado’, e isso (racismo), aqui, não é novidade”, explica à Rádio Brasil Atual em referência ao movimento de moradores que eram contrários a implantação no metrô anos atrás porque atrairia “pessoas diferenciadas”.

Durante a manifestação, a Associação de Amigos e Familiares Presos (Amparar) refletiu ainda que, ao mesmo tempo em que há a tentativa de impedir a circulação desses jovens em estabelecimentos e locais de lazer, é naturalizada a permanência deles em instituições de privação de liberdade, como a Fundação Casa. “A gente não tem uma política efetiva de proteção integral dos nossos adolescentes para impedir que eles passem por processos de internação, ou por vezes, processos de internação compulsórias nesses lugares”, contesta a organização.

Ouça a entrevista na íntegra