Folia e respeito

Blocos de carnaval acolherão vítimas de assédio

Grupos de voluntárias formado por mulheres, travestis e transexuais estarão nas ruas para prestar atendimento. Carnaval deste ano também conta com marchinha que ironiza o famigerado 'a culpa é do PT'

Gabriel Nogueira/Catraca Livre
Carnaval sem assédio

Campanha contra assédio é feita pelo Catraca Livre em parceria com a produtora de blocos Rua Livre

São Paulo – O Catraca Livre, em parceria com a produtora de blocos Rua Livre, está organizando, pelo terceiro ano consecutivo, uma ação para acolher vítimas de assédio no blocos de rua pela cidade de São Paulo durante o carnaval. A campanha #CarnavalSemAssédio contará com o apoio de um grupo de voluntárias formado por mulheres, travestis e transexuais, para prestar atendimento às vítimas.

“A nossa ideia é obviamente reduzir danos e transmitir principalmente a mensagem de que o carnaval de rua não é mais uma terra de ninguém. Estamos todos de olho e unidos contra o assédio sexual”, explica o diretor executivo da produtora de blocos Rua Livre, Estevão Romane, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

A ação conta com a parceria ainda da Prefeitura de São Paulo e de órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público, Delegacia da Mulher, o Metrô e outras entidades. A ideia é que o grupo de “anjos”, como são chamadas as voluntárias, acolham as vítimas de assédio sexual nos blocos, onde também haverá uma equipe em cima dos trios fazendo o monitoramento em tempo real, e em postos nos principais trajetos da cidade.

De acordo com a pesquisa LGBTfobia de 2018, 80% dos entrevistados revelaram ter presenciado casos de beijos forçados, “encoxadas” e casos de corpos tocados sem consentimento, agressão física, verbal ou abuso. Cerca de 70% das vítimas não fizeram denúncias, em sua maioria, devido à falta de preparo das autoridades.

As inscrições para Anjos do Carnaval vão até esta sexta-feira (8). Para saber mais, clique aqui.

Carnaval também é político

“O PT acabou com minha vida”, “corja vagabunda de artistas”, “jesus na goiabeira”, “fora comunistas”, são algumas das menções que vêm repercutindo desde as eleições, em outubro do ano passado, e que fazem parte agora de uma marchinha de carnaval feita para ironizar “tudo o que está aí”, mais precisamente os ataques que a oposição vem sofrendo nos últimos meses, anulando qualquer chance de debate.

Criada por Isis Passos e por sua mãe, Marília Passos, a marcha, intitulada “Talquey Talquey a culpa é do PT” faz referência clara ao verbete utilizado pelo atual mandatário, Jair Bolsonaro, sem deixar de lado as fake news, como a “mamadeira de piroca”, utilizada à época do pleito eleitoral contra o candidato Fernando Haddad. O vídeo já tem mais de 100 mil visualizações.

Assista à marchinha:

E ouça a entrevista da Rádio Brasil Atual: