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Assassinato de militantes do MST na PB é fruto da violência propagada por Bolsonaro

Parlamentares, integrantes e apoiadores do MST responsabilizam a retórica violenta do presidente eleito pela crime ocorrido no interior da Paraíba no último sábado. 'Bolsonaro assumirá com as mãos sujas de sangue'
Publicado por Redação RBA
Cidadania
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MST/PB
Velório MST

Militantes que lutam pelo direito à terra “pagam com a vida”, ressaltou Gleisi, no velório de um dos integrantes do MST

São Paulo – O assassinato dos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),  José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, no último sábado (8), no acampamento Dom José Maria Pires, no interior da Paraíba, “é resultado da propaganda de violência e impunidade que o capitão neofascista fez durante a campanha”, afirmou o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile.

Segundo testemunhas, um grupo de quatro homens, encapuzados e armados, invadiu a área do acampamento, que fica no município de Alhambra,  ocupada pelo MST desde junho de 2017, e assassinaram os dois militantes, que estavam jantando, por volta das 19h30. 

Uma nota assinada por apoiadores do MST na Paraíba diz que o “covarde”  assassinato dos militantes faz parte “da truculência exacerbada pelo cenário político vivido no país com a ascensão do ideário neofascista e de criminalização das organizações e movimentos populares deste país.”

No velório de Orlando, no domingo (9),  na comunidade agrícola Zumbi dos Palmares, no município de Mari, a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, ressaltou a dor daqueles que lutam por reforma agrária. “Por que tem que ser assim? Por que uns têm que morrer para conquistar aquilo que é tão necessário à vida. Morre lutando por um pedaço de terra para produzir e poder sustentar sua família. Os companheiros que enfrentam essa situação pagam com a vida, é isso que a gente vê.” 

Pelas redes sociais, ela também apontou responsabilidades do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pelas palavras de ódio que estimulam a perseguição a movimentos sociais e populares. “A violência contra lideranças sociais deve crescer no Brasil, mesmo antes da posse de Bolsonaro, que assumirá com as mãos sujas de sangue e a moral suja por mentiras e fraudes”, denunciou. 

A bancada do PT afirmou tratar-se de “um crime político” cometido contra militantes que lutavam por “terra, trabalho e dignidade”. Também lembraram das palavras do papa Francisco – “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos” – em defesa da causa. Os parlamentares também lembram que, desde 1985, foram 1.904 pessoas ligadas às lutas no campo que foram assassinadas, com uma média de 58 mortes a cada ano, segundo dados do relatório Conflitos no Campo, publicado anualmente pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Do total de casos, apenas 113 foram julgados, dado que comprova a impunidade desse tipo de crime.

A PGR, a PFDC e a PRDC/PB reiteram o compromisso com a proteção dos direitos humanos dos assentados e envidarão todos os esforços perante os órgãos de investigação para que a autoria do duplo assassinato seja esclarecida e os responsáveis punidos conforme a lei”, diz trecho da nota assinada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, e pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba, José Godoy.

 

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