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Prefeitura de São Paulo planeja mudar endereço da ‘cracolândia’

Novas tendas de atendimento aos dependentes estão sendo construídas na zona norte da capital paulista pela gestão Covas (PSDB). Especialistas temem que serviço na região central seja fechado

TVT/Reprodução
Tendas Cracolândia

Prefeitura de São Paulo afirma que ideia é ampliar atendimento, mas motivação pode ser especulação imobiliária

São Paulo – A Prefeitura de São Paulo planeja fechar tendas que oferecem atendimento aos usuários de drogas na região conhecida como Cracolândia, no centro da capital paulista. A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) prepara a “transferência” dessa população para um local próximo à Rodoviária do Tietê, na zona norte de São Paulo. A possibilidade de mudança, as incertezas e a falta de transparência nas ações têm sido criticada por especialistas que acompanham os usuários.

As novas tendas que estão sendo construídas, chamadas de Atende, dão continuidade ao programa implementado por João Dória (PSDB) e, de acordo com o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Assistência Social, José Castro, ao jornal Folha de S.Paulo, têm o intuito de aumentar a capacidade de atendimento e atrair os usuários que queiram deixar as cenas de uso do bairro da Luz. 

No entanto, à repórter Michelle Gomes, do Seu Jornal, da TVT, profissionais que atuam junto aos dependentes químicos afirmaram temer que o novo espaço, mais longe do Centro, os serviços na região sejam fechados. “Dentro do projeto que vem sendo implementado desde o início da gestão Dória, faz mais sentido a gente entender que a implantação desse equipamento pretende o fechamento dos territórios que estão localizados ali no entorno (do bairro da Luz)”, analisa o agente redutor de danos do Centro de Convivência “É de Lei”.

O arquiteto e urbanista do Instituto Pólis, Felipe de Freitas Moreira, destaca ainda haver uma ligação entre a retirada dos usuários do local para atender aos interesses históricos da especulação imobiliária na região. “Muito interesse (imobiliário) que já não é de hoje – vem desde os anos 2000 –, com uma série de equipamentos sendo implantados pelo poder público e que visam, de alguma maneira, a revitalização desse lugar, mas retirando a população pobre e os usuários daquela região”, afirma.

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