Eleições 2018

Instituto Vladimir Herzog questiona presidenciáveis sobre direitos humanos

Candidatos foram convidados a responder cinco perguntas, incluindo questões sobre Lei de Anistia e Comissão Nacional da Verdade. Jair Bolsonaro e Ciro Gomes não responderam nenhum tema

Fábio Arantes/Secom
Ditadura

Resposta da maioria dos candidatos revela que Lei de Anistia e Comissão da Verdade são temas incômodos

São Paulo – Com o objetivo de conhecer a opinião dos candidatos à Presidência da República sobre temas de direitos humanos, o Instituto Vladimir Herzog enviou cinco perguntas para cada um deles questionando-os sobre: a Lei de Anistia; direito à memória e à verdade; Comissão Nacional da Verdade (CNV); Sistema ONU; e liberdade de expressão.

Álvaro Dias (Podemos), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (Psol), João Goulart Filho (PPL), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU) responderam as perguntas. Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT) não responderam.

“A gente não tinha muita expectativa de que o Bolsonaro responderia, porque ele já deixou muito claro que não tem compromisso nenhum com os direitos humanos”, afirmou Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto.

Já a falta de resposta de Ciro Gomes foi classificada de “decepcionante” por Sottili. “Porque o Ciro Gomes tem uma trajetória, tem um compromisso e, no entanto, sequer justificou ou pediu mais prazo, embora houvesse prazo suficiente. A gente percebe que a ausência do Ciro Gomes deve ser interpretada como a ausência de alguém que não quer entrar em ‘bola dividida’ na perspectiva de uma possível eleição, porque em direitos humanos, você tem que entrar em ‘bola dividida’, tem que se expor”, explicou.

Para ele, os candidatos estão evitando abordar assuntos de direitos humanos nos debates e programas eleitorais, talvez por ser um tema que desgaste, talvez porque a população tenha uma compreensão equivocada do que são direitos humanos. “A gente gostaria que os candidatos pudessem se expor concretamente sobre esses temas, para que o público possa conhecer o que pensam.”

Segundo Tessa Lacerda, professora de filosofia da Universidade de São Paulo (USP), no tema da Lei de Anistia, as respostas evidenciaram a existência de dois grupos: um que respeita os pactos internacionais dos quais o Brasil é signatário, e neste grupo ela destaca Guilherme Boulos, Fernando Haddad e João Goulart Filho; e outro grupo que prefere que prevaleça a legislação interna do pais, como Geraldo Alckmin, Álvaro Dias e Marina Silva.

Sottili pondera que, com exceção de Boulos e João Goulart Filho, em todos os outros candidatos foi possível perceber que o tema causa desconforto. “E desconfortável por medo das Forças Armadas. É um tema obscuro que ninguém quer enfrentar, e por isso o Brasil continua repetindo os mesmos erros do passado.”

A divisão entre respeito aos pactos internacionais ou preferência pelas leis internas do país também foi a tônica nas respostas relacionadas ao tema de direito à memória e à verdade. Já sobre a série de recomendações ao Estado brasileiro incluídas no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, somente Haddad e Boulos se posicionaram favoráveis à sua implementação.

Ouça a entrevista na íntegra:

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