Para não esquecer

Reedição de livros marca 50 anos da ‘Batalha da Maria Antonia’

Obras 'Os Acontecimentos da Rua Maria Antonia' e 'Maria Antonia: Uma Rua na Contramão', lançadas em 1978, ganham novas edições

Hiroto Yoshioka/Acervo Centro Universitário Maria Antonia – PRCEU USP
Batalha Maria Antonia

Batalha da Maria Antonia retrata a oposição à ditadura civil-militar pelos estudantes da época

São Paulo – A chamada Batalha da Maria Antonia completou, nesta terça-feira (2), 50 anos, e para refletir sobre um dos episódios marcantes da ditadura civil-militar a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) reeditou os livros Os Acontecimentos da Rua Maria Antonia, também conhecido como Livro Branco e Maria Antonia: Uma Rua na Contramão, lançados em 1978 e que recuperam as narrativas sobre o acontecimento.

Mais do que um episódio de rivalidade entre estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Batalha da Maria Antonia marca também a oposição ideológica entre direita e esquerda. Uma reação ao regime, em escala local, que teve seu auge quando estudantes do Mackenzie ligados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC) tentaram impedir uma ação de estudantes da USP para arrecadar fundos ao congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), destaca a professora aposentada do Departamento de História e ex-presidenta da Comissão da Verdade da USP Janice Theodoro da Silva.

No conflito, um estudante que não era de nenhuma das universidades, mas secundarista de um colégio próximo ao local, foi morto por um tiro de autoria até hoje desconhecida. Ninguém foi responsabilizado ou punido. Diante do embate e da sua representação histórica, em entrevista à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual, a professora e diretora da FFLCH-USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, destacou a importância de se rememorar o período como um modo de se pensar a democracia nos dias de hoje.

“Este é um momento importante do exercício da democracia e dizer ‘não’, nós não aceitamos nenhuma violação de direito e intolerância, olha a história do passado”, ressalta a professora.

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