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Não seja meu amigo

'Um candidato diz que meu pai se matou e é a favor da tortura', diz filho de Herzog

Ivo afirma que presidenciável é "cúmplice" dos assassinos de Vladimir Herzog, morto em 1975 no DOI-Codi de São Paulo
por Redação RBA publicado 14/09/2018 11h03, última modificação 14/09/2018 13h32
Ivo afirma que presidenciável é "cúmplice" dos assassinos de Vladimir Herzog, morto em 1975 no DOI-Codi de São Paulo
Reprodução ESPN e Facebook
Ivo Herzog

Ivo, no Facebook,sem dizer o nome de Bolsonaro: 'Se você cogita em votar nele, então você não é meu amigo(a)'

São Paulo – Responsável pelo Instituto Vladimir Herzog e filho do jornalista assassinado em 1975, Ivo Herzog postou no Facebook uma mensagem em referência a um candidato à Presidência da República, cujo nome não citou. "Um dos candidatos diz que meu pai se matou e é a favor da tortura. Essa pessoa é amiga e cúmplice desses assassinos", escreveu Ivo, que publicou fotografias dos cinco principais nomes, conforme indicam as pesquisas: nesta ordem, Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT).

Em julho, em entrevista para um programa de TV, Bolsonaro, ao comentar o caso Herzog, disse lamentar, mas afirmou que "suicídio acontece, pessoal pratica suicídio". Essa foi a versão oficial divulgada na época: que o jornalista, diretor da TV Cultura, de São Paulo, havia se matado nas dependência do DOI-Codi. Posteriormente, a versão foi desmontada. Também em julho, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por não investigar e não punir os responsáveis pelo crime.

"A questão é muito simples, se vc é meu amigo(a) aqui, deve conhecer minha história. (... ) Se você cogita em votar nele, então você não é meu amigo(a)", diz Ivo Herzog, pedindo, na sequência para, nesse caso, desfazer a amizade virtual.

Depois da condenação do Brasil, a investigação foi reaberta pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo. 

Quando proferiu voto em favor da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016, o deputado Bolsonaro ironizou o fato de a presidenta ter sido presa política e torturada pela ditadura: "Viva Brilhante Ustra", bradou. Referia-se ao coronel do Exército Carlos Alberto Brilhantes Ustra, morto em 2015, que chefiou o DOI-Codi em São Paulo, órgão encarregado da repressão e centro de tortura, onde morreu Vlado. A Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo, reuniu 502 denúncias de tortura na unidade sob o comando de Ustra (1970-1974).