Grito dos excluídos

Excluídos gritam contra privilégios, ‘desmonte’ e violência

Celebração do Grito dos Excluídos na região central de São Paulo tem atividades culturais, alerta de 'limpeza' da prefeitura contra povo da rua e visita a exposição sobre dom Paulo

Reprodução
Grito dos Excluídos

Primeira parte do ato teve números de teatro, música e dança

São Paulo – Concentrados diante do convento de São Francisco, que junto com a paróquia se tornou santuário em 1997 por decisão de dom Paulo Evaristo Arns, manifestantes do Grito dos Excluídos protestaram contra a injustiça na forma de privilégios a uma parcela da sociedade, as privatizações e a violência contra os pobres. “É também um grito de coragem”, disse o frei Gustavo Medella em sua saudação, falando em resistência e homenageando o papa Francisco e o próprio dom Paulo.

Na primeira parte do ato, na manhã desta sexta-feira (7) na região central de São Paulo, foram organizados números de teatro, música e dança. Depois, representantes de centrais sindicais e organizações políticas discursaram. Já no início da tarde, por volta de 12h30, os manifestantes caminharam pela Rua São Bento, até chegar, 15 minutos depois, à Avenida São João – parte deles foi visitar exposição sobre o cardeal-arcebispo no Espaço Cultural dos Correios. Foram recebidos pela jornalista Evanize Sidow, uma das curadoras do evento, que vai até o dia 23, e autora, junto com Marilda Ferri, da biografia Dom Paulo – um homem amado e perseguido.

O padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, falou sobre a perseguição aos excluídos. “Aqui no centro da cidade circulam 2 milhões de pessoas por dia. Dizer que a culpa dos problemas é dos moradores de rua é covardia, é impostura”, afirmou. “A cidade vai ficar linda quando todos tiverem onde morar e não tiver violência”, acrescentou, para em seguida cantar Irá chegar um novo dia: “E neste dia os oprimidos/ Numa só voz a liberdade irão cantar”. Padre Júlio afirmou que “a prática de Jesus é dos pequenos, dos pobres, dos esquecidos, dos excluídos”.

Segundo ele, há uma “operação limpeza” prevista para os próximos dias na região central. “E eles consideram que o lixo é a população de rua.”

Nas falas, críticas ao reajuste dado pelos juízes a eles mesmos, a privatizações, como do Aquífero Guarani, à Emenda Constitucional 95, de congelamento dos gastos públicos, à dívida pública e à proposta, ainda presente, de “reforma” da Previdência. Um dos manifestantes lamentou o ataque ao candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Para Paulo Pedrini, da Pastoral Operária, o número menor de pessoas em relação a outros “Gritos” reflete a situação do país. “Muita gente desinteressada, muito descrente, um momento de muito ataque (aos movimentos sociais e aos mais pobres). Mais do que nunca, a gente tem de se unir contra isso”, afirmou. 

 

 

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