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Eleições mais uma vez repetem baixo número de mulheres candidatas

Dados do TSE mostram desproporcionalidade entre o total do eleitorado feminino em comparação com os números de participação e de representatividade política
por Redação RBA publicado 12/09/2018 11h53, última modificação 12/09/2018 13h29
Dados do TSE mostram desproporcionalidade entre o total do eleitorado feminino em comparação com os números de participação e de representatividade política
Fernando Frazão EBC/Reprodução
Mulheres na política

Segundo TSE, 8,3 mil mulheres disputam as eleições deste ano, o que corresponde a apenas 30,64%

São Paulo – Para especialistas consultados pela Rádio Brasil Atual, as regras que obrigam os partidos brasileiros a apresentar 30% de candidaturas de mulheres na disputa eleitoral e a destinar parte dos recursos do fundo partidário para essas campanhas não garantem uma participação efetiva das mulheres nos espaços de poder. Maioria do eleitorado brasileiro, com 52% do total, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o total de mulheres candidatas pouco ultrapassa a cota mínima estabelecida. Nas últimas eleições mais recentes, em 2016, a participação feminina chegou apenas a 31,89%.

Em entrevista à jornalista Ana Rosa Carrara, a socióloga e especialista em pesquisa de opinião Fátima Pacheco Jordão afirma que não houve diferença expressiva no número de candidaturas de mulheres em relação aos anos anteriores – em 2018 é de 8,3 mil candidatas. Para Fátima, ainda mais complicado que a garantia de mulheres nas campanhas é também a permanência durante os mandatos.

“As redes que os homens formam por tradição e até por cultura paternalista são mais fortes do que as formadas pelas mulheres”, analisa a socióloga. Atualmente, apenas 12% dos mandatos no Congresso Nacional são femininos e entre os mais de 50 mil vereadores em todo o país, aproximadamente 16% são mulheres.

Na análise da doutora em Ciências Sociais e especialista em participação política e políticas públicas para as mulheres Tatau Godinho, a desigualdade na divisão do trabalho de cuidados da família também justifica a baixa na representação. Para ela, é fundamental que os partidos e as candidatas tenham propostas políticas de melhoria da vida das mulheres.

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