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Segurança Pública

Violência em São Paulo é tema do ‘Entre Vistas’ especial desta quinta

Ouvidor da polícia do estado, Benedito Mariano, é o convidado de hoje do programa da TVT. 'A violência policial atinge um setor específico da sociedade', afirma
Publicado por Luciano Velleda, para a RBA
17:39
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Luciano Velleda
Benedito Mariano

Para o ouvidor Benedito Mariano, em vez de priorizar a vida, a polícia prioriza o patrimônio

São Paulo — “Nós atiramos na cabeça / Nós atiramos pra matar!” A frase dantesca, proferida por um grupo de policiais militares durante corrida por uma das principais ruas da cidade de Santos, dá a medida do desafio do sociólogo Benedito Mariano, nomeado ouvidor da Polícia doeEstado de São Paulo em fevereiro. “Isso é inaceitável. Afastamento é pouco”, disse, durante participação no programa Entre Vistas, da TVT, que vai ao ar nesta quinta-feira (27), às 21h, em edição especial. 

Mariano ocupa o cargo pela segunda vez (a primeira foi entre 1995 e 2000) e sabe bem que a Baixada Santista, onde esse grupo de policiais não se constrangeu com o cântico à luz do dia, é a região com a maior letalidade da polícia no estado de São Paulo. Uma situação que fez o jornalista e apresentador Juca Kfouri definir o cargo de ouvidor da polícia como “espinhoso”, e questionar como é possível se relacionar com a violência cotidiana da PM e, ao mesmo tempo, ter o respeito da sociedade.

“É uma função difícil, mas necessária”, afirmou Mariano. Para ele, o Brasil não tem a cultura dos órgãos de controle e, historicamente, pouco se sabe sobre a “caixa preta” da polícia. Como exemplo do que “não se sabe”, citou o problema dos suicídios cometidos por policiais. “O que menos vitima policial em São Paulo é a atividade policial”, sentenciou.

Ao assumir o cargo, Benedito Mariano teve de encarar o passivo de 2017, ano da segunda maior letalidade da polícia no estado. Para isso, encomendou um estudo que abrangeu 80% dos boletins com ocorrência de morte. O resultado da análise revelou que em 48% dos casos, houve indício de excesso da legítima defesa; em 26%, a legítima defesa do policial se mostrou correta; e nos 26% restantes, a vítima estava sem arma de fogo.

Com o resultado do estudo em mãos, Benedito Mariano fez 14 recomendações ao governo do estado. “Nossa expectativa é que a pesquisa leve a polícia a uma revisão”, diz o ouvidor, otimista. 

O Entre Vistas conta ainda com a participação de Débora Silva, do grupo Mães de Maio, e de Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.