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Para metade dos paulistanos, corrupção na prefeitura aumentou na gestão Doria

Pesquisa indica que 85% da população considera a gestão da capital paulista pouco transparente. E 68% não confiam no Executivo municipal
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
Cidadania
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Rede Nossa São Paulo/Divulgação
NSP

Pesquisa lançada hoje mediu a percepção da população sobre transparência, participação social e corrupção na cidade

São Paulo – Nova rodada da pesquisa Viver em São Paulo, realizada pelo Ibope em parceria com a Rede Nossa São Paulo, lançada hoje (14), revela que 53% dos paulistanos percebem que a corrupção aumentou na capital paulista nos últimos 12 meses. O período bate com a gestão do ex-prefeito e pré-candidato ao governo paulista João Doria (PSDB). Outros 24% avaliam que a situação se manteve a mesma e apenas 15% consideram que diminuiu. Além disso, 85% da população da capital paulista considera a prefeitura pouco ou nada transparente, enquanto 68% não confiam na administração municipal, atualmente chefiada por Bruno Covas (PSDB).

“A percepção da população está relacionada também com as atitudes do poder público. O rebaixamento da Controladoria-Geral do Município e posterior demissão do controlador, Guilherme Mendes, que disse que ‘há sistemas de corrupção no governo’. Ações de esvaziamento, desprezo e desmonte dos conselhos participativos e temáticos. Falta de transparência e de canais por meio dos quais as pessoas possam denunciar os esquemas que veem ‘todo dia’. Tudo isso colabora para a sensação de que o governo não quer combater a corrupção”, avaliou Jorge Kayano, pesquisador do Instituto Pólis.

A pesquisa indica ainda que apenas 11% dos paulistanos já participaram de uma audiência pública. Outros 12% participaram das consultas públicas virtuais. Já o serviço 156 foi utilizado por 43% dos paulistanos, sendo o sistema de relação com o poder público mais usado. E 37% da população nunca utilizou qualquer canal de diálogo com o Poder Executivo. 81% dos paulistanos querem que as prefeituras regionais sejam mais autônomas e 88%, que o orçamento seja regionalizado. Além disso, 82% dos moradores da cidade querem poder votar para prefeito regional.

“A pesquisa dialoga com questões centrais das eleições 2018. O que aparece em São Paulo sinaliza o que pode ocorrer no país. A pesquisa mostra que a população percebe um baixo grau de transparência, o aumento da corrupção e demanda mais participação na cidade e desejo de saber onde estão sendo aplicados os recursos do orçamento. Estas questões apontam para a importância de melhorarmos a qualidade da nossa democracia”, disse o coordenador da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão.

Entre as conclusões, a pesquisa indica que os paulistanos querem poder participar mais das decisões políticas e de orçamento. Mas encontram muitas dificuldades para efetivar essa vontade. “É preciso que a população tenha informações para participar das discussões. A transparência é fundamental para combater as desigualdades, mas o poder público faz o contrário e dificulta ao máximo o acesso às informações”, afirmou a coordenadora do programa de Acesso à Informação, da ONG Artigo 19, Joara Marchezini. “É proposital que seja difícil, que seja chato, que uma audiência seja às 10 horas da manhã de um dia útil. É para que as pessoas desistam de participar”, completou.

O coordenador do Grupo de Trabalho de Democracia Participativa da Rede Nossa São Paulo, Maurício Piragino, se disse surpreso que 25% dos paulistanos tenham participado ativamente de discussões com o poder público na cidade. “Não há estímulo para isso hoje. Os conselhos participativos estão sendo estrangulados. Os conselhos temáticos não têm estrutura. A participação é uma política de Estado, consagrada na Constituição Federal. Mas os gestores acham que eles podem decidir se vai ter mais ou menos participação, ignorando a lei”, afirmou.