Tragédia Invisível

Com responsáveis ainda impunes, Massacre da Sé completa 14 anos

Sete pessoas em situação de rua foram executadas, entre 17 e 18 de agosto de 2004, no centro de São Paulo. Até hoje, apontados como responsáveis seguem soltos

Rovena Rosa EBC/Reprodução
Massacre da Sé

Em roda de conversa para relembrar a tragédia, pessoas em situação de rua apontaram a permanência da violência

São Paulo – Uma roda de conversa com pessoas em situação de rua relembrou, nesta quarta-feira (22), a execução de sete pessoas em 2004, que dormiam na Praça da Sé, centro de São Paulo. Realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para marcar os 14 anos da impunidade e da violência contra aqueles moradores de rua, a atividade contou com a participação de movimentos sociais ligados a esta população que denunciaram que, até hoje, a tensão e o medo permanecem presentes.

“A violência vem por dois lados, dos soldados, militares, da GCM (Guarda Civil Metropolitana), e da população mesmo, porque tem muitas pessoas ignorantes que olham a gente como escória”, afirma Rita Marcondes, moradora em situação de rua, ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

As agressões descritas por Rita resvalam também sobre a forma como são tratados esses casos, a exemplo do Massacre da Sé, que além dos assassinatos, deixou seis moradores feridos gravemente e com sequelas. Dos cinco policiais e um segurança acusados como os responsáveis pelas execuções, apenas dois foram presos, mas por terem sido condenados pela morte da única testemunha dos assassinatos na época, a moradora em situação de rua Priscila Machado.

Para o ouvidor da Defensoria Pública do Estado de São Paulo de 2014 a 2018, Alderon Costa, em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual, a justiça não existe para as pessoas que vivem em situação de rua. “Primeiro dado da violência que nós temos são pessoas obrigadas a viver em situação de rua. Segundo, nós temos uma Justiça que é elitista, morador de rua não tem direito a ela. Eu posso levantar aqui um histórico que mostra como essa população é invisível para a Justiça.”

Assista à reportagem da TVT e ouça matéria da Rádio Brasil Atual: