Home Cidadania Com responsáveis ainda impunes, Massacre da Sé completa 14 anos
Tragédia Invisível

Com responsáveis ainda impunes, Massacre da Sé completa 14 anos

Sete pessoas em situação de rua foram executadas, entre 17 e 18 de agosto de 2004, no centro de São Paulo. Até hoje, apontados como responsáveis seguem soltos
Publicado por Redação RBA
12:27
Compartilhar:   
Rovena Rosa EBC/Reprodução
Massacre da Sé

Em roda de conversa para relembrar a tragédia, pessoas em situação de rua apontaram a permanência da violência

São Paulo – Uma roda de conversa com pessoas em situação de rua relembrou, nesta quarta-feira (22), a execução de sete pessoas em 2004, que dormiam na Praça da Sé, centro de São Paulo. Realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para marcar os 14 anos da impunidade e da violência contra aqueles moradores de rua, a atividade contou com a participação de movimentos sociais ligados a esta população que denunciaram que, até hoje, a tensão e o medo permanecem presentes.

“A violência vem por dois lados, dos soldados, militares, da GCM (Guarda Civil Metropolitana), e da população mesmo, porque tem muitas pessoas ignorantes que olham a gente como escória”, afirma Rita Marcondes, moradora em situação de rua, ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

As agressões descritas por Rita resvalam também sobre a forma como são tratados esses casos, a exemplo do Massacre da Sé, que além dos assassinatos, deixou seis moradores feridos gravemente e com sequelas. Dos cinco policiais e um segurança acusados como os responsáveis pelas execuções, apenas dois foram presos, mas por terem sido condenados pela morte da única testemunha dos assassinatos na época, a moradora em situação de rua Priscila Machado.

Para o ouvidor da Defensoria Pública do Estado de São Paulo de 2014 a 2018, Alderon Costa, em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual, a justiça não existe para as pessoas que vivem em situação de rua. “Primeiro dado da violência que nós temos são pessoas obrigadas a viver em situação de rua. Segundo, nós temos uma Justiça que é elitista, morador de rua não tem direito a ela. Eu posso levantar aqui um histórico que mostra como essa população é invisível para a Justiça.”

Assista à reportagem da TVT e ouça matéria da Rádio Brasil Atual: