Direitos humanos

Oficinas de panificação qualificam pessoas trans para o mercado de trabalho

Em três anos, iniciativa formou mais de 50 pessoas e visa romper com preconceitos que marginalizam população trans

TVT/Reprodução
Oficinas população trans

Educador e organizador da proposta Lucas Cesar, ressalta a participação do mercado para garantir contratação das alunas

São Paulo – Para contornar estimativas que apontam informalmente a prostituição como trabalho para 90% da população trans, iniciativas de capacitação são promovidas em São Paulo para inclusão de travestis e transexuais no mercado de trabalho. O educador Lucas de Souza Cesar, organizador de uma oficina de panificação, que integra o projeto do governo estadual paulista Padaria Artesanal, avalia que os resultados das ações educativas conseguem ir além da qualificação profissional, alçando a conquista de direitos e dignidade dessa parcela da população.

De acordo com as participantes do curso, o preconceito ainda é a principal barreira enfrentada pelas pessoas trans para conseguir um emprego. “Eu tenho 24 anos e até hoje, eu não consegui trabalhar registrada pelo fato de ter preconceito. Eu já passei por muitas coisas assim… já chegaram a me falar que não poderiam contratar uma travesti porque ‘a clientela não sabe lidar com a situação’ no trabalho”, lamenta a aluna Graziele Rodrigues.

Para Cesar, a discriminação e a pouca convivência com a diversidade, alimentam a baixa na oferta de trabalhos para a população trans. “Eu acho que se as pessoas estivessem mais próximas delas e as conhecessem, iam ver que elas são tão qualificadas como todos os outros profissionais”, afirma Cesar, acrescentando que o desenvolvimento precisa ser melhor aproveitado pelos empregadores.

Em três anos, a iniciativa já formou mais de 50 profissionais. “O mercado está devendo isso. A gente qualifica elas em outras funções também, mas as portas estão fechadas. Então meu apelo é para que as panificadoras e padarias possam dar oportunidades.”

O projeto estadual conta com a organização da Sociedade Amiga e Esportiva do Jardim Copacabana (Saec), da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura de São Paulo e integra travestis e transexuais oriundos do programa Transcidadania, criado em 2015, na gestão Fernando Haddad (PT).

Assista à reportagem de Jô Miyagui, da TVT: