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‘Expõe como tratamos as crianças’, diz autor de foto de menino expulso do Metrô

Pouco depois de finalizar um workshop sobre fotojornalismo, discutindo a violência contra crianças registrada ao longo do tempo, repórter fotográfico Juca Martins flagrou ação em estação
por Redação RBA publicado 20/07/2018 20h05, última modificação 20/07/2018 20h10
Pouco depois de finalizar um workshop sobre fotojornalismo, discutindo a violência contra crianças registrada ao longo do tempo, repórter fotográfico Juca Martins flagrou ação em estação
Juca Martins
Brutalidade no Metrô de SP

Seguranças usam força desproporcional sobre menino

São Paulo – “São fotos que dão sentido de mais de 100 anos de idade em relação ao jeito como a humanidade trata as crianças.” Assim o fotógrafo Juca Martins define a sequência de fotos feitas nesta quinta-feira (19), na estação Sumaré da Linha 2-Verde (Vila Prudente/Vila Madalena) do Metrô paulista. As imagens mostram um garoto aparentando 10 anos, descalço, sendo abordado por seguranças da companhia. Ele foi agarrado, teve a mochila revistada pelos agentes e depois foi posto para fora da estação.

“Eu estava no vagão e vi esse menino entregando um papelzinho aos demais passageiros. Não cheguei a pegar o papel, mas imagino que estava pedindo ajuda. Quando desci na estação Sumaré, vi que ele também desceu, mas logo foi abordado por um segurança”, relatou Martins, que decidiu acompanhar a abordagem.

“Logo chegou outro segurança. De forma muito truculenta, um segurou um braço o outro a mochila e o menino começou a reclamar, quase a chorar. Minha primeira reação foi interpelar, dizer que tratassem direito com ele, perguntassem o que estava fazendo. Os caras foram muito agressivos e começaram a ficar mais violentos com o menino”, afirmou.

Sem ter como reagir, o fotógrafo sacou o celular e começou a fazer fotos. Uma delas, publicada em sua página na internet, já conta centenas de reações. “Eu acompanhei o procedimento. Eles levaram o garoto até a rua. Ele esperneou, lutou. Na volta um dos agentes me disse: ‘Gostou? Leva pra casa’. E eu respondi que não se tratava disso, mas da forma violenta como eles tratam as pessoas”, relatou Martins. Ele não conseguiu fazer contato com o menino, que estava muito nervoso e chorando.

Em tempos de crise no jornalismo, a sequência de fotos de Martins mostra a importância que o fotojornalismo tem para denunciar as injustiças cotidianas. Ele, inclusive, havia acabado de encerrar uma aula em um workshop gratuito sobre fotojornalismo ministrado na Casa da Imagem. “Encerrei o curso explicando que os temas do fotojornalismo são eternos e inesgotáveis. Mostrei fotos de crianças de cem anos atrás, trabalhando em condições semi-escravas, exploradas, maltratadas. E discutimos como muitas coisas na sociedade não mudam”, disse.

Juca Martins atua como repórter fotográfico desde os anos 1970. Foi editor de arte do jornal Movimento e já participou de exposições em vários países. Ganhou o Prêmio Esso de Fotografia com uma série de reportagens sobre menores e o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos com reportagem sobre a guerra de El Salvador.

 

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