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Diálogos possíveis

Em São Paulo, detentos relatam cotidiano em sistema prisional

Evento realizado no sábado (30), aproxima as experiências de condenados da visão da sociedade civil para o processo de ressocialização e segurança pública
por Redação RBA publicado 02/07/2018 12h56
Evento realizado no sábado (30), aproxima as experiências de condenados da visão da sociedade civil para o processo de ressocialização e segurança pública
TVT/Reprodução
Debate segurança

A perspectiva de pessoas em ressocialização em APACs, conhecida por modelo que prioriza a recuperação

São Paulo – O diálogo entre pessoas em ressocialização nas Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (Apacs) e a sociedade civil, é o caminho de aposta para entidades e coletivos que defenderam essa aproximação no último sábado (30), como uma via para o debate sobre segurança pública e o sistema de justiça brasileiro.

"A sociedade tem que se envolver nessa questão do cumprimento da pena, porque entendendo que uma pessoa sai de lá recuperada é um criminoso a menos", considera Wellington da Silva Paixão, que há dez anos cumpre pena em uma unidade da Apac, em Minas Gerais. Durante evento realizado pelo Sesc Paulista, Wellington relatou sua rotina dentro desse, que é considerado uma alternativa ao sistema prisional comum do Brasil, reconhecido por priorizar a recuperação do condenado.

Fotógrafo e coordenador do Projeto Voz, Léo Drummond, defende que o diálogo é fundamental para a desconstrução dos estigmas e das reduções que recaem sobre a população carcerária. "A gente busca criar a aproximação entre o mundo de fora e o mundo de dentro para as pessoas não olharem os presos como animais ou assassinos".

O debate faz parte de uma iniciativa promovida por Drummond e pela também coordenadora e jornalista do projeto Voz, Natália Martino, que promove oficinas de fotografia e jornalismo para detentos.

Em comum, os depoimentos das pessoas reclusas destacaram a convivência diária com o preconceito e a falta de oportunidade, o que na opinião do coordenador, é uma ação que também prejudica a própria sociedade. "É importante a gente quebrar esse ódio. A gente tem que entender que todo mundo que está lá dentro uma hora vai voltar para nossa convivência e que volte da melhor maneira possível", finaliza Drummond.

Assista à reportagem completa: