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Sem aviso, luz é cortada de ocupação e moradores ficam desamparados

Moradores temem perder comidas perecíveis, deixar doentes sem inalação, ficar sem comunicação em caso de emergência e o risco de ter de apelar para o uso de velas
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
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Prédio ocupado na Rio Branco que teve a luz cortada à direita e, do outro lado da avenida, o prédio que desabou

São Paulo – Os moradores de um prédio ocupado no número 53 da Avenida Rio Branco, na região central de São Paulo, foram surpreendidos na madrugada de ontem (10) com corte no fornecimento de energia. As informações são de que o pedido veio do Corpo de Bombeiros e teve a finalidade de garantir a segurança nos trabalhos de escavações no Edifício Wilton Paes, que desabou após um incêndio no dia 1º de maio.

Os moradores questionam o porquê do fato de que apenas a ocupação teve o fornecimento de energia interrompido. Bares, outros prédios e estabelecimentos na mesma quadra, de acordo com os moradores, não tiveram o corte. Os moradores também criticam o fato de não terem sido avisados anteriormente.

A falta de energia impacta negativamente em diferentes aspectos como comidas que podem ficar sem refrigeração e mesmo para utensílios eletrônicos pessoais que podem ser necessários em caso de emergências, como celulares.

Outro ponto problemático é que, sem aviso prévio, os movimentos de luta por moradia que coordenam as ocupações ficaram sem tempo hábil para trabalhar em uma força-tarefa e conseguir geradores ou mesmo lanternas. Nesta noite, muitos moradores utilizaram velas o que, em caso de risco de incêndio, pode ser um elemento crítico no início de uma nova tragédia.

“Ontem houve o corte da energia. O major da PM alegou que o local onde estão fazendo a remoção dos escombros passa um ramal de energia que está ligado somente às três ocupações. Detectaram isso dez dias após o desabamento. Totalmente fora de questão uma coisa dessas, isso é perseguição aos sem tetos. Os movimentos se mobilizaram, entraram em contato com as autoridades e estão aguardando um posicionamento”, disse o morador de uma ocupação próxima Donizete Redondo, ativista do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC).

A moradora e porteira da ocupação, Nilda de Souza, de 70 anos, teve de apelar para as velas. “A polícia chegou e desligou a luz. Temos uma montanha de crianças, temos oito doentes com febre. Estamos com duas velhinhas acamadas, sem contar comigo que faço sacrifício para ajudar a todos. Somos em 74 famílias, ocupamos aqui faz sete anos. Não avisaram que iam cortar a luz. O policial disse que era assim mesmo, que íamos ficar no escuro e não iam ligar mais”, disse.

O advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e coordenador da União dos Movimentos de Moradia, Benedito Barbosa, o Dito, esteve na ocupação. “Isso começou umas seis horas. Estamos manifestando a solidariedade às famílias da Rio Branco. Mexeu com uma, mexeu com todas. Não vamos aceitar criminalização. Não vamos discutir a questão técnica, mas a PM e a Eletropaulo, teriam de ter avisado antes para, se possível, arrumarmos um gerador para que as pessoas não ficassem nessas condições. Isso estamos questionando: por que não informou antes?”

Posicionamento da Eletropaulo

Questionada pela RBA, a AES Eletropaulo, empresa responsável pelo fornecimento de energia, informa que não existe prazo para a retomada da energia, caso as ligações sejam clandestinas.

Equipes da Eletropaulo estão no Largo de Paissandu 24 horas por dia para dar suporte ao Corpo de Bombeiros. Como a energia elétrica do local é subterrânea, à medida que os bombeiros retiram os escombros, a concessionária atua para desligar as ligações clandestinas, de acordo com as solicitações dos Bombeiros.”