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faces do golpe

Pastoral da Terra lança campanha pela libertação de Padre Amaro

Preso preventivamente sem provas, Padre Amaro é mais uma vítima da presunção da Justiça no país, que atua politicamente contra a luta por direitos e, no caso do sul do Pará, contra o direito à terra
por Redação RBA publicado 05/05/2018 16h19
Preso preventivamente sem provas, Padre Amaro é mais uma vítima da presunção da Justiça no país, que atua politicamente contra a luta por direitos e, no caso do sul do Pará, contra o direito à terra
reprodução/massa estúdio
campanha padre amaro livre.jpg

Padre Amaro foi preso sob acusação de assédio sexual, mas carência de provas apontam para sua inocência

São Paulo – A Comissão Pastoral da Terra lançou campanha pela libertação do Padre José Amaro Lopes, preso desde 27 de março, sob acusações de assédio sexual, mas até agora sem provas. A prisão se deu em caráter preventivo, por decisão do juiz da Comarca de Anapu (PA). A campanha pede que os defensores do padre enviem e-mail para a desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA), Vania Lucia Carvalho da Silveira, responsável pela análise do pedido de Habeas Corpus em favor de Padre Amaro.

A prisão do Padre Amaro é mais um episódio que marca o conflito fundiário no sul do Pará. “Ele (Padre Amaro) começou a trabalhar com a própria irmã Dorothy, e eles conviveram com o povo que passou a ocupar terras públicas na região de Anapu. Quem foi responsável pela morte dela imaginava que matando a Dorothy ia amedrontar o povo, que ia deixar a terra para os grileiros ocuparem. Isso não aconteceu”, afirmou Jeane Bellini, da coordenação nacional da CPT, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, nesta sexta-feira (4).

“O padre e outras irmãs continuaram apoiando o povo que precisava de um pedaço de terra para sustentar a família. Quando os grileiros perceberam que o povo não ia embora, começaram a tentar outras táticas para intimidar pessoas que os enxergavam como responsáveis pelo apoio moral ao povo”, disse ainda Jeane. “Passando os anos e tentando muitas táticas sem resultado, decidiram tramar acusações falsas à pessoa do padre Amaro. Ao invés de matar fisicamente, matar moralmente com acusações sem fundamento”, afirmou.

“Eu visitei as irmãs em Anapu no final de abril e foi impressionante. Disseram que não vão acreditar (nas acusações), já que ele conviveu com elas mais de 20 anos e isso é mentira”, contou. O e-mail da campanha que defende o padre destaca que “por não existir prova alguma, o Ministério Público de Anapu determinou o arquivamento da grave acusação de assédio sexual, feita pela Polícia Civil de Anapu contra Amaro. Na verdade, ele é vítima de grave violação de sua vida privada e de sua intimidade, contrariando a Constituição da República (art. 5º, caput e inciso X), o Pacto internacional de Direitos Civis e Políticos (art. 17 e 26) e a Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 11 e 24), além de normas infraconstitucionais. Essa acusação leviana causou danos irreparáveis à imagem de Padre Amaro.

Ouça a entrevista: