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Desabamento

CUT presta apoio às vítimas de incêndio em ocupação em SP e cobra autoridades

Segundo a central, déficit habitacional atinge 6 milhões de famílias no Brasil. Doações para os desabrigados podem ser feitas em dois locais no centro da capital paulista
Publicado por Redação RBA
14:47
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Divulgação/Corpo de Bombeiros
Prédio Incêndio

Prédio que desabou após incêndio durante a madrugada no centro de São Paulo era ocupado por cerca de 150 famílias

São Paulo – A CUT-SP manifestou solidariedade às famílias da ocupação em prédio que desabou após incêndio que atingiu ainda um segundo edifício, no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, durante a madrugada desta terça-feira (1º). Ao menos uma pessoa morreu e outras três estão desaparecidas. Em nota, a central destaca como causa primordial da tragédia o déficit habitacional no país, estimado em 6 milhões de domicílios, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, realizada em 2015. Só na capital paulista, faltam cerca de 1 milhão de moradias. 

“Agora é hora de nos unirmos e nos solidarizarmos diante da tragédia, mas não podemos esquecer que há um problema mais profundo, que é o descaso do poder público para com a situação de moradia no Brasil, questão que tem piorado após o golpe dado no país em 2016”, diz a CUT-SP, em nota. 

A CUT e demais movimentos sociais alertam que os moradores desabrigados precisam urgentemente de doações – como colchonetes, cobertores, roupas e materiais de higiene pessoal  , que podem ser entregues aos voluntários que estão em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo Paissandu, e também na Ocupação Mauá, que fica na Rua Mauá, 340, também na região central da cidade. 

O pré-candidato à Presidência pelo Psol, Guilherme Boulos, que também é coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), se manifestou em apoio às vítimas e denunciou a tentativa de “criminalização” das próprias vítimas que ocupavam o edifício.

Confira vídeo de Boulos:

“Ninguém vai para uma ocupação porque quer. As pessoas ocupam por completa falta de alternativas. Se há um responsável por tudo isso, é o Poder Público, que não assegurou moradia digna para essas famílias”, disse Boulos, que destacou que a ocupação que desabou não tinha ligação com o MTST. “De toda forma, tem a nossa solidariedade.” 

Também em nota, a prefeitura de São Paulo diz que o imóvel estava prestes a passar por processo de reintegração de posse, em ação movida pela União, contrariando o presidente Michel Temer, que esteve no local e disse que não poderia pedir a reintegração “porque eram famílias muito pobres”. Após a desocupação, o prédio seria cedido à prefeitura, que não explica a finalidade que seria dada. 

Segundo as autoridades municipais, as 150 famílias da ocupação foram cadastradas, sem oferecer mais detalhes dos encaminhamentos. “Esse cadastro foi realizado para identificar a quantidade de famílias, o grau de vulnerabilidade social e a necessidade de encaminhamento das famílias à rede socioassistencial.”

Confira a nota da CUT-SP na íntegra

É momento de solidariedade e união diante da tragédia

A CUT São Paulo lamenta profundamente o incêndio que aconteceu na madrugada desta terça-feira (1º), na região do Largo do Paissandu, no centro de São Paulo.

Nesse momento difícil, expressamos nossa solidariedade aos amigos e familiares das vítimas e a toda a população da cidade de São Paulo. Sabemos que até o momento uma vítima foi vista no local, mas não foi encontrada pelo Corpo de Bombeiros.

Lamentamos também o déficit habitacional estimado em seis milhões no Brasil, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios realizada em 2015. Sabemos que São Paulo, contudo, concentra a necessidade de novas unidades habitacionais na casa de um milhão de moradias.

Agora é hora de nos unirmos e nos solidarizarmos diante da tragédia, mas não podemos esquecer que há um problema mais profundo, que é o descaso do poder público para com a situação de moradia no Brasil, questão que tem piorado após o golpe dado no país em 2016.

São Paulo, 1º de maio de 2018.

CUT São Paulo