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Comida boa

Crítico gastronômico elogia Feira do MST nas redes e perde mais de mil seguidores

Segundo Julio Bernardo, do "Boteco do JB", a meta é perder 2 mil. "São ignorantes. Não fazem falta", afirma
por Pedro Ribeiro Nogueira, do Brasil de Fato publicado 07/05/2018 18h01, última modificação 08/05/2018 00h56
Segundo Julio Bernardo, do "Boteco do JB", a meta é perder 2 mil. "São ignorantes. Não fazem falta", afirma
Rafael Stédile
Feira do MST

JB (segundo da direita para esquerda) acompanhado do líder do MST João Pedro Stédile

Brasil de Fato – “Quer perder mais de 1.000 seguidores em algumas horas? divulgue uma feira incrível de pequenos produtores que abrange 24 estados do Brasil e vende mais de 300 toneladas de ótima comida por preço acessível”, postou no último sábado (5), no Instagram, o crítico gastronômico – ou cronista de comida, como prefere ser chamado – Julio Bernardo, o JB, do Boteco do JB.

Conhecido por ser um dos críticos mais ácidos do Brasil, procurando sempre uma comida de verdade, seja em um boteco ou em um restaurante cinco estrelas, JB provou as delícias do Pará, Espírito Santo e Minas Gerais na 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que terminou no último domingo (6), no Parque da Água Branca, em São Paulo. Ao publicar elogios nas redes e postar fotos com boné do MST, recebeu críticas ofensivas de alguns de seus seguidores.

Neste domingo (6), ele voltou para provar o arroz carreteiro feito por João Pedro Stédile e conversou com o Brasil de Fato sobre a importância desse espaço e o que de melhor ele encontrou nos corredores do Parque da Água Branca.

Qual a importância dessa Feira?

A aproximação do pequeno produtor, de cozinheiros assentados com a população, vendendo boa comida, a preço acessível, apresentando ingredientes e produtos pouco conhecidos da grande população. Eu comprei um saco de castanha de caju aqui, olha isso [mostra o pacote]. É incrível. Não se acha em São Paulo algo desse preço, dessa qualidade.

Você já comeu e escreveu sobre todos tipos de comida, de restaurantes cinco estrelas à chefs internacionais. O que você achou da comida aqui?

É bárbara. Comida feita com cocção perfeita. Adorei a barraca de Minas, do Pará, do Espírito Santo. Tudo perfeito. Eu gostei muito da moqueca capixaba, a cocção estava perfeita, o peixe delicioso, tudo certo.

Culinária de guerrilha de verdade?

Culinária de guerrilha, feita em assentamento praticamente, são tendas.

Ontem aconteceu um episódio no qual você perdeu seguidores porque postou uma foto aqui na Feira da Reforma Agrária. O que isso quer dizer para você?

São mil analfabetos políticos. Eu postei uma foto os convidando pra vir conhecer, conhecer os pequenos produtores, a comida… A Feira é muito bonita. A meta hoje é perder 2 mil seguidores. Gente que não faz falta.

O que você acha que motiva esse tipo de reação?

Burrice, estupidez, ignorância. Gente que acha que tudo é um Fla-Flu, que tem que ter briga. As pessoas aqui viajaram de caminhão, de ônibus, tá todo mundo sorrindo, fazendo um trabalho lindo, que tem que conhecer.

O que você diria para eles?

Venha conhecer. Venha conhecer e tente falar mal depois. Mas venham.