Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2018 / 04 / Reitores da USP colaboraram com a ditadura, revela Comissão da Verdade

'triagem ideológica'

Reitores da USP colaboraram com a ditadura, revela Comissão da Verdade

Documento divido em 10 volumes mostra que 47 alunos da universidade desapareceram ou foram mortos pelo governo militar
por Redação RBA publicado 04/04/2018 11h04, última modificação 05/04/2018 09h28
Documento divido em 10 volumes mostra que 47 alunos da universidade desapareceram ou foram mortos pelo governo militar
USP IMAGENS
miguel reale e muniz oliva.jpg

Miguel Reale e Waldyr Muniz Oliva, reitores da USP na época, colaboraram com o Dops e SNI

São Paulo – A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) colaborou com a ditadura civil-militar, por meio de uma agência de informação que fazia triagem ideológica e fornecia dados aos órgãos de segurança para perseguir alunos, professores e estudantes. É o que revela o relatório da Comissão da Verdade da USP divulgado recentemente. A reportagem é do Seu Jornal, da TVT.

O documento, divido em 10 volumes e com mais de 2.800 páginas, foi elaborado por quatro anos. Os arquivos comprovam que 47 dos 434 mortos e desaparecidos durante o período da ditadura tinham vínculos com a USP.

"Todas as pessoas que fazem parte desta comissão, de alguma forma foram caçados ou perseguidos, então é uma comissão que conheceu os membros da ditadura vivendo aquela conjuntura de uma maneira bastante crítica", explica Janice Theodoro da Silva, presidenta da Comissão da Verdade da USP, em entrevista ao repórter Leandro Chaves.

Entre os reitores que auxiliaram a atuação da ditadura no Brasil estão Miguel Reale, Orlando Marques de Paiva e Waldyr Muniz Oliva. "Esse serviço de informação trocou documentos com o Dops e SNI (Sistema Nacional de Informação), durante a gestão deles. A troca dessas informações permitiu perseguições e a não contratação de professores e acirrou o ambiente de vigilância dentro universidade", afirma Janice.

“Só para terem uma ideia qual é o clima, para você ouvir determinadas músicas, você combinava e escutava escondido. Depois, todas as amizades eram mediadas por uma dúvida, se aquela pessoa era de fato seu amigo ou um investigador disfarçado de estudante que queria obter informações sobre os alunos da USP. Só para se ter uma ideia, entre as milhares de fichas no Dops, os livros de formatura dos alunos da USP constam lá", lembra a presidenta da comissão.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT: