violência contra mulher

Violência contra a mulher tem que ser prevenida com conscientização nas escolas

Pesquisa do Ipsos, realizada em 27 países, mostra assédio e assassinato como principais problemas enfrentados pela população feminina. Debate indica necessidade de inserir questões de gênero na educação

FERNANDA FRAZÃO/ARQUIVO AGÊNCIA BRASIL
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No Brasil, 12 mulheres foram mortas por dia em 2017 – aumento de 6,5% em relação a 2016

São Paulo – O Instituto Ipsos divulgou nesta quarta-feira (7) uma pesquisa realizada em 27 países, que mostra o assédio e a violência como os maiores problemas enfrentados pela população feminina. Em debate realizado no mesmo dia, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, centro da capital, especialistas explicam que a melhor maneira de enfrentar o problema não é por meio de leis, mas com conscientização dentro das escolas.

“O feminicídio está incrustado no machismo, então não vai resolver esse problema só com leis ou prisões, a gente precisa trabalhar isso de uma forma cultural, dentro dos ambientes escolares, mostrando para meninos e meninas que temos de falar sobre igualdade de gênero”, afirma Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

O estudo ouviu cerca de 20 mil homens e mulheres de países de todos os continentes, inclusive o Brasil. No Brasil, 12 mulheres foram mortas por dia em 2017 – aumento de 6,5% em relação a 2016. 

“Os dados da Saúde e os últimos dados disponíveis no Datasus mostram que 50% das mulheres assassinadas morreram vítimas de parentes – a maior parte delas dos próprios maridos ou namorados. Isso configura feminicídio íntimo”, acrescenta Samira.

Para a professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Maíra Zapater, leis de punição são importantes para combater a violência contra a mulher, mas a conscientização é primordial. “As leis são necessárias, mas elas mostram comportamentos que já se modificaram. A gente não tem nenhuma evidência de que leis sozinhas modifiquem o comportamento das pessoas. A gente precisa de atos educativos para conseguir mudar a mentalidade delas.” 

No debate, especialistas também discutiram formas de combate ao assédio e à violência sexual. A cônsul geral do Canadá no Rio de Janeiro, Evelyne Coulombe, afirma que em seu país a situação também se repete. “No Canadá também temos problemas sérios de assédio sexual e temos visto que os números não estão diminuindo. O governo de lá está tomando muito a sério a tentativa de diminuir esses níveis”, conta.

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